sábado, 28 de junho de 2014

Pegadas

As fotos velhas penduradas na parede
Rasgadas com as sombras de um tempo que não volta mais.
E na frieza das palavras não ditas
As lágrimas escorrem teu rosto tão sem vida.
Aquelas marcas cravadas no teu corpo,
De uma solidão que só tu entendes,
Deixaram de sangrar quando já não te importavas mais.
Já era tarde demais para procurar alguma salvação para tudo!
A tormenta que por deveras te sangrava a alma
Aos poucos deixava de existir.
E assim,
Sozinha,
Com os pés descalços,
Embalaste-te em mais uma aventura
Talvez para apagar toda a dor que carregavas contigo,
Junto ao peito.
Caminhaste sem direção...
E no vai e vem de teus pensamentos loucos
Encontrastes o teu caminho
Deixando o rastro de tuas pegadas
E todas aquelas fotos velhas penduradas na minha parede.

(Escrita por Versos Ditos)

segunda-feira, 26 de maio de 2014

Quase amor


As palavras proferidas não voltam atrás.
E no meio de tanto ódio
Sangrei todo o amor que sentia por ti.
Quase sem querer
Percebo o quanto havia me perdido nesta estrada que me levava a você.
Procurei-te de todas as formas
Sem que meu orgulho pudesse notar.
Tudo aquilo dentro de mim que estava,
Aos poucos,
Queimando junto com o amor que habitava em mim.
A cegueira que me acompanhava,
Tão pertinente ao passo em que me perdia,
Pedia abrigo neste peito teu.
Eu queria,
Por um momento talvez,
Voltar atrás para perceber tudo aquilo que não estava claro
Enquanto meus passos seguiam as pegadas que me deixavas.
Mal pude perceber as pegadas apagadas
No meio da chuva que caía lá fora.
Agora percebo que tudo foi em vão!
Todos os sonhos desfeitos
Palavras mal ditas
Amor sem fim...
Ah como eu queria voltar no tempo
E enquanto juravas teu amor por mim
Lembrar-me da frieza de tuas palavras.
Mas já não posso...
Queria poder olhar para trás
E recuperar o orgulho que deixei pelo caminho
O resto de dignidade que deixei escorrer entre meus dedos
Enquanto segurava a mão tua.
E assim,
No meio de tantos arrependimentos
As palavras correm soltas entre meus lábios
E te agrido mais uma vez.
Talvez pela última vez
Jurando todo o ódio que agora habita em mim
Enquanto meu corpo sangra mais uma vez
As feridas que você insistiu em me deixar.
- Já não tem volta,
Convenço-me enquanto observo as horas passarem.
Enquanto as lágrimas escorrem minha face
E trazem à tona todo o arrependimento
Por um dia ter te amado.
Trazendo à tona
Todo o ódio que não sinto por ti,
Mas sim por mim...

(Escrita por Versos Ditos)

quarta-feira, 21 de maio de 2014

Dois



E aquele sorriso que ela carregava no rosto parecia não ter fim. Ele tinha o dom de fazê-la sorrir e ela sabia disso. Ele sabia disso. Eram tão diferentes ao passo em que se completavam. E naquela tarde cinzenta de maio, ela percebeu aquilo que demorou uma vida inteira para descobrir. Aquela felicidade finalmente era sua.  Só sua. Ela sabia que não poderia ficar ali por muito tempo e sabia que precisava fugir, o mais rápido que seus pés permitissem.
Aquele sorriso que ele carregava em seus lábios era igual a muitos outros que ele distribuía por aí. Ele sabia que tinha o dom de fazê-la sorrir e brincava com suas emoções enquanto ela se entregava. Ele já não era feito de ilusões e se divertia, ao mesmo tempo em que ela era feliz. Aquele sorriso que sabia que despertava nela, fazia-no querer ficar mais e mais. Mas ele sabia que não poderia ficar ali por muito tempo.  Simples palavras, soltas ao vento naquela tarde fria de maio. Sabia que não a teria por muito tempo, pois logo ela se cansaria do seu jogo infantil. Mas ele permanecia ali. Talvez tão imóvel com medo de perdê-la quanto ela tinha medo de que ele fosse embora para nunca mais voltar.
E assim, no meio de sentimentos tão confusos, eles se encontravam ao passo em que se perdiam. Buscavam algo em comum que nem ao menos sabiam se existia. E imóveis, permaneceram ali. Juntos.
Com as mãos entrelaçadas e pensamentos soltos.
Ela sabia que só ele a fazia sorrir. Lutava com os sentimentos que a faziam ficar ali. Enquanto ele falava baixinho, apenas mais uma explicação para fugir...

(Escrita por Versos Ditos)

Abismo


Aquele momento em que o tempo pede calma
E na medida em que as horas passam
Vê-te impotente,
Acreditando que tudo pode mudar.
De repente,
Neste dia tão cinzento
Pensa que podes tocar as estrelas
Enquanto o mundo te oferece o abismo.
Choras.
Escorrem lágrimas em teu peito que nem mesmo compreendes
E percebes que nem tudo está aonde deveria estar.
Temes.
E na medida em que o tic tac do relógio assola tua alma
Percebes que já não há para onde fugir.
O mundo parece ter desmorado aos teus pés
Ao passo em que tentavas fugir dali.
Teu orgulho ferido
Fez-te querer viver outra realidade
Outra vida, talvez.
E tudo fica sem respostas...
Enquanto tua visão turva te leva para longe dali.
É só mais um dia ruim.
É só mais uma vida vazia
Um ser jogado ao vento procurando o próprio abismo para se esconder.
E assim,
No meio de tantas desilusões e palavras sem fim
Entregas-te.
E percebes que já não há mais volta.
Um simples caminho a seguir...

(Escrita por Versos Ditos)

terça-feira, 20 de maio de 2014

Talvez



Neste exato momento em que brigamos
E gritamos palavras tão sem nexo
Eu me pergunto aonde nos perdemos.
Em que momento que nossas mãos pararam de se tocar
E nossos vãos criaram abismos sem fim.
É tanta imensidão
Que o medo de me entregar se tornou cada vez mais forte
Tão forte quanto tudo aquilo que nos unia.
Talvez tivéssemos tudo para dar certo
Ou talvez tudo não passasse de um sonho bom...
E assim,
No meio de tantos “talvez”,
Desferimos palavras que sufocam nosso orgulho
E nos fazem temer mais uma vez.
Talvez...
Um dia...
Quem sabe.

(Escrita por Versos Ditos)

sexta-feira, 11 de abril de 2014

Ilusões


E tudo começou de repente
Sem hora e sem pressa de chegar
E aos poucos o ar que respirava
Já não servia para acalmar todos os seus sonhos.
Ela sabia exatamente aonde queria estar
E principalmente com quem queria estar.
Ela era feita de ilusões...
Um pedacinho do oceano
Contemplando toda a imensidão a sua frente.
Trazendo perguntas dentro de si
As quais ainda procurava respostas.
Ela era feita de sonhos!
Tão impossíveis quanto a chuva que caia
E molhava sua janela tão sem vida.
Sabia que aquele não era o seu lugar
E lutava.
Lutava com todas as forças que tinha
Mas se via no meio de tantas dúvidas.
Ah, se ele soubesse...
Se a vida fosse feita de momentos mais doces
E se todo o fim de semana não tivesse fim...
Mas mesmo assim lutava
Com a fé cega que a fazia caminhar cada dia mais rápido.
Mais veloz do que o som abafado dos próprios passos.
Quando pensava em desistir
Nos momentos de fraqueza que assolavam a sua alma
E se perguntava se tudo valeria a pena.
“Afinal, tudo valeria a pena?”
E assim,
Com pés descalços
Calejados dentre tantas perguntas
Ela se entregou.
Percebeu que podia tocar o horizonte
E se lembrou dos olhos dele.
Tão doces quanto a chuva que caia lá fora
E encharcava o seu peito dentre tantos sonhos bons...

(Escrita por Versos Ditos)

quarta-feira, 19 de março de 2014

Um pouco mais que o infinito


Um pouco de tudo que habita em mim,
Neste momento em que palavras soltas vagam por aí,
Enquanto analiso tudo o que nos aconteceu.
Procuro-te da mesma forma que tu me procuras.
Somos dois,
Ao passo que somos um.
Nesta montanha-russa da vida,
Onde nossos altos e baixos sempre serviram para nos unir
E nossas mãos sempre andaram entrelaçadas.
Posso dizer que és o meu anjo,
És um pedacinho de mim que nem sabes.
És aquele que me defende,
Sem nem ao menos saber se estou certa,
Sem nem ao menos saber de todos os medos que habitam em mim.
És meu tudo.
E aos poucos,
Enquanto tu me seguras para eu não cair,
Percebo o caminho errado que a vida seguiu para nos trazer aqui,
Mais uma vez,
Neste momento.
Converso contigo enquanto converso com anjos
E vejo a loucura em que tudo se transformou,
Quando,
Juntos,
Apoiamo-nos um ao outro.
E aprendemos a melhor forma de traçar este caminho.
E eu,
Já desenganada dentre tantas desilusões,
Enxergo em ti aquilo tudo que tu vês em mim.
E me conforto dentre tantos sonhos bons...
Somos únicos.
Tu és único e nem ao menos sabes disto.
Aos poucos,
Em uma confusão de sentimentos paralelos,
De risadas soltas,
Vivemos este momento intensamente,
Enquanto o mundo lá fora parece não existir.
E esta roda de pensamentos leves,
Transforma-nos a cada dia e fortalece nossos passos.
Tu me seguras enquanto eu te seguro.
E assim,
Juntos,
Tornamo-nos uma muralha indestrutível.
E eu converso contigo,
Como converso com anjos.
Um pouco mais que o infinito...

(Escrita por Versos Ditos)

sexta-feira, 14 de março de 2014

Enquanto se perdia



Ela olhou nos meus olhos, fitou-me com seus olhos azuis tão sem vida, e aos poucos percebi o precipício em que vivia. Toda aquela dor que sentia sempre que chamava seu nome. Eram tantos sentimentos que aos poucos percebi como a sufocava e como fui matando o resto de vida que tinha. E com a voz calma, num tom de veludo, um tom que talvez minha raiva de perdê-la não merecesse naquele momento, disse-me que as coisas não estavam dando certo e que precisava sair daqui. Correu... E eu a agredi mais uma vez com minhas palavras sem sentido. Acusei-a com todos os medos que sentia, sem perceber que ela não era igual àquilo tudo que havia vivido. Arrependi-me e minhas mãos puderam segurá-la e trazê-la para perto de mim, mais uma vez. Fiz promessas, jurei minha vida, chorei... E mais uma vez pude tê-la ao meu lado. Só que aos poucos, a medida que o tempo passava, percebi que minhas promessas eram em vão e que não conseguiria mantê-las por muito tempo. Tive medo enquanto a sufocava, outra vez, com todo aquele amor que sentia. Um amor tão grande que não cabia em mim. Ela era perfeita! Tinha um mau humor insuportável, mas continuava perfeita, ao menos para mim. Fazia dancinhas engraçadas, enquanto me mostrava o quão bom poderia ser estar ao seu lado. Ela era a minha fortaleza, ao passo que eu sempre me vi perdido dentre tantas desilusões. Eu precisava dela ao meu lado e nunca me importei ao certo com o que ela queria para si. Trouxe a minha vida e me esqueci da dela. Apaguei seus sonhos, sua coragem, suas ambições. Fiz-na minha. Talvez até aquele momento não havia percebido que a tinha feito prisioneira de todo o amor que sentia. Tolhi-lhe a liberdade e segui cada passo seu, numa tentativa louca de escondê-la de seus sonhos. Procurei-a por todas as ruas, mas já não a tinha comigo. Foi aí que mais uma vez chorei. Questionei-a onde havia parado todo aquele amor que ela sentia por mim, quando jurava ser só minha. Rezei baixinho para que a resposta que viria não fosse me machucar. Surpreendi-me. Mais uma vez, com uma voz doce, delicada, quase angelical, ela me disse que havia me perdido quando resolveu buscar a si. Quando percebeu que todos aqueles sonhos que sentia, os mesmos que eu havia matado quando a quis só para mim, estavam mais vivos do que nunca, adormecidos no elo mais profundo de si. Tentei segurá-la mais uma vez jurando tudo aquilo que sentia, quando percebi que suas mãos já não tinham o calor de antes e meu peito já não serviria para acalmá-la numa noite de frio. Mas percebi, aos poucos, seus olhos se enchendo de vida. A liberdade a havia feito bem. A liberdade a havia feito voltar a sorrir. A felicidade que lhe escondi havia surgido como forma de acalmar toda aquela angústia que ela sentia. Ela finalmente era livre. Enquanto eu, que havia dado tanto de mim, que achava que tinha feito as melhores escolhas no lugar dela, vi-me sofrer baixinho, calado, arrependido de todo o mal que havia lhe feito. Era tarde demais... Dessa vez ela correu, fugiu sem rumo, encontrou-se enquanto me perdia. E nesse momento percebi que meu amor não seria suficiente. Deixei-a ir. Deixei-a livre. Para, quem sabe, um dia voltar...

(Escrita por Versos Ditos)

quinta-feira, 13 de março de 2014

Última página


Última página de um conto,
Toda uma história.
A expectativa acabou.
Muitos se fizeram honrados,
Outros desiludidos.
Essa foi minha meta,
Tentá-los com todas as armas.
Enganei-os com a pior delas,
A palavra.
Ela que a tantos mata e fere.
 Todos os anjos que me fizeram sonhar,
Obrigada!
Sou grata a vocês...
Pois sem os sonhos não somos nada.
A luz divina está ali,
Basta nos fecharmos desse mundo.
Pode ser essa a última página
Dessa história minha.
Porém a vida continua.
Talvez não da melhor forma,
Mas é assim que tem que ser.
Nada é importante o suficiente,
Para que nossos corações deixem de bater.
Meu lema, esse foi.
Muitos obstáculos venci,
Batalhas tão fúteis!
Muitos pensam que fui louca,
Porém não o sou.
Tento apenas viver essa triste vida da melhor forma.
Papéis levados pelo vento,
Rabiscos...
Fiz um novo mundo,
Esse pelo qual choro.
Fui motivo de graça.
Porém enganasse quando pensas que temi.
Minhas pegadas estão aqui.
Basta segui-las,
Para desvendares todos os meus segredos.
É aí que o conto acabou.
Um dia qualquer,
Numa vida qualquer!

(Escrita por Versos Ditos)

quarta-feira, 12 de março de 2014

Um pouco de mim - Rascunho




Um pouco de mim.
Um pouco torto,
Descomplacente,
Desconfiado.
Um pouco de tudo
Ou talvez de nada.
Um pouco cruel,
Ou até sádico.
Mas não muito,
Só pouco.
O pouco que rouba sonhos
E se desfaz no meio da tempestade.
Aquele pouco
Que se busca
E não se tem.
Mas não sou pouco
E sim muito.
Curioso
E experimental.
Aquele muito que assusta
E ao mesmo tempo vive.
O muito que se entrega
Mas não espera nada em troca
Aquele muito que é feliz!
Um muito desajeitado
Desorganizado
E um tanto quanto metódico.
Um tanto quanto temperamental!
Mas é muito
E não pouco.
Talvez na medida exata
Ou na dose errada.
Um muito que se perde
Um pouco que se encontra.
Um muito que batalha
Um pouco que se cansa.
Um muito que sonha
Um pouco que desiste...
Um pouco que é teu
Mas um mundo que é muito
E é  só meu!

(Escrita por Versos Ditos)
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