sábado, 22 de novembro de 2014

Luanna





Minha pequena.
Crescestes tão rápido.
Já tens Facebook!
Já tens uma vida inteira pela frente.
Caminhas forte com teus próprios pés.
Mas manténs o olhar da doçura.
O encanto de ser surpreendida.
O gostinho bom da meiguice.
E o jeito sem jeito de amar.
És de porcelana mas também de ferro.
Choras por dentro do sorriso farto.
Ergues as sobrancelhas a nos desafiar
Num gesto sutil de ironia.
E no conjunto todo que te fazes
Só posso te dizer:
Te amo muito!

(Escrita por Carmen Mattos)

sexta-feira, 21 de novembro de 2014

Onze Anos



Acordei quando o sol ainda se espreguiçava. Levantei-me num pulo e abri o armário. 
Lá, estava, imaculadamente pendurado, meu vestido cor de rosa e ao lado, exatamente igual, o vestido azul de minha irmãzinha. 
Suspirei de alívio. Fui passo a passo para a cozinha, passei pelo quarto de minha mãe e a vi dormindo encolhida na enorme cama de casal. Mais uma vez, meu pai não viera para casa. 
Já era o quarto dia. Mas hoje, ele viria, era meu aniversário. 
Fechei cuidadosamente a porta da cozinha para não acordar ninguém e vi as travessas de doces para serem enrolados, que minha mãe deixara na noite anterior. Pus-me a separar as forminhas de papel, no mesmo ritmo que batia meu coração. 
Foram dezenas até que minha mãe chegasse para preparar o café da manhã. 
Assustamo-nos uma com a outra. Mas eu estava tão feliz que nem percebi a melancolia que pairava no ar. 
Não sabia como ela tinha conseguido fazer aquilo tudo e ainda comprar refrigerantes para a minha festa, mas estava perfeito. 
Almocei engolindo a comida. Tinha pressa de tudo. Olhava a volta inúmeras vezes e sorria satisfeita. 
A Toalha de linho bordada estava na mesa, os brigadeiros, cajuzinhos, olhos de sogra e docinhos de coco, estavam meticulosamente distribuídos. Até a luz que entrava pela varanda conspirava comigo, dando um ar dourado a toda a cena. 
Tomei banho, minha mãe fez uma longa trança em meus cabelos molhados e me vesti de rosa. Faltavam duas horas para os convidados chegarem e eu nem me sentava para não amarrotar o vestido. 
A todo minuto olhava pela varanda e o tempo não passava. E então o tempo foi passando. 
Fiquei perto da porta esperando ansiosa a campainha tocar. Mas ela não tocou. 
Pensei ouvir passos, mas era ilusão. 
Anoiteceu e eu permanecia parada ao lado da porta. 
Minha mãe com toda a sua amargura me disse: não vai vir ninguém mais há esta hora. E eu concordei. 
Mas não chorei, abri um sorriso e chamei minha irmã para comermos os doces. 
Nesta noite não houve jantar, nem velinhas acessas e muito menos parabéns. 
Éramos três a volta da mesa com sua toalha de linho, comendo silenciosamente a minha festa de 11 anos. Também em silencio fomos deitar. 
Mais tarde, quando nem os pensamentos estavam acordados, permiti que lágrimas rolassem pelo meu rosto, até que a lua cedesse lugar ao sol. 
A tristeza foi minha única companhia por todo esse tempo. 
Perto do meio dia, meu pai chegou trazendo uma caixinha de presente e desculpas esfarrapadas. 
Abriu um largo sorriso para me encantar e disse: 
-Desculpa filha, não pude vir ontem. 
E eu lhe respondi:
- Não faz mal, ninguém veio.

(Escrita por Carmen Mattos)

Novo Colaborador - Carmen Mattos


É com grande prazer que comunico que o Blog ganhou um novo colaborador.
Uma pessoa pura e que tem o Dom da escrita.
Tenho certeza que trará grandes colaborações com suas lindas poesias, textos e contos.

Seja muito bem vinda ao Versos Ditos, Carmen Mattos!

quinta-feira, 20 de novembro de 2014

Hoje


Enquanto brincávamos como velhos conhecidos
Pendurados em uma moldura antiga
E víamos o quão bom poderia estar um ao lado do outro.
Hoje eu conheci um lado teu que jamais tinha visto
Quando estava cega diante de tantas emoções
E pudemos compartilhar a simples experiência de estarmos juntos.
Hoje eu ri de mim,
Ri de ti,
Impliquei com a tua velha mania de achar que tudo ficará bem.
E,
Quase sem querer,
Eu me apaixonei.
E neste compasso de ventos leves
Brisas soltas que espalham aquilo que temos em comum pelo ar
Invento mais esta melodia.
Brindo ao Destino,
Brindo à vida
E agradeço por te ter ao meu lado.
Percebo,
Lentamente,
Que hoje eu me apaixonei por você...

(Escrita por Versos Ditos)

domingo, 16 de novembro de 2014

Porta aberta


Cada qual tinha o próprio caminho a seguir.
Um mundo de possibilidades e novas experiências estava se abrindo rente a seus olhos.
Ela sabia coisas que ele jamais imaginava, percebia aquilo que o rodeava e preferia se afastar a ter que viver com tantos porquês.
Ele não entendia as palavras que ela dizia e acreditava que tudo não passava de uma loucura passageira.
Ela tinha razão!
E na medida das horas, em que a opção de ficar ou partir apertava o seu peito, ela finalmente teria que decidir entre ficar e partir.
Fizeram juras...
Fizeram um trato que ela seguiu à risca.
De nunca mais falar da vida que poderia ser deles.
Ela tinha um gosto amargo de desilusão que enfeitava sua alma vazia e, mesmo sabendo que aquilo era para ser, já não sabia qual era o seu lugar.
Via as coisas que ele fazia, de forma incrédula, pensando em como isso poderia ter acontecido com ela.
Como isso poderia ter acontecido com eles.
O fantasma do presente a assombrava enquanto ele fazia juras, dizendo que tudo não passava de ilusão.
E, cansada de desconfiar, ela passou a questioná-lo e a receber, em troca, palavras vazias, palavras sem nexo.
E assim, com o orgulho ferido e as malas nas mãos, ela abriu a primeira porta e saiu.
Abriu a primeira porta que a levaria para longe dali...

(Escrita por Versos Ditos)

sexta-feira, 14 de novembro de 2014

quinta-feira, 13 de novembro de 2014

Gratidão


Confesso que no começo fiquei chateada. Lembrei da forma, meio torta, em que resolvi te agradecer por aquilo que fizestes em tão pouco tempo. Falei sobre Gratidão. E assim, com a mesma velocidade em que me vistes, sendo grata a ti, por tão pouco, virastes as costas sem qualquer explicação. Talvez as respostas estivessem escondidas, nas entrelinhas de tuas palavras ferozes ou talvez não existam perguntas cabíveis. 
Faço-me de cega agora, ao passo em que deixei de me chatear ou aborrecer. 
Lembro, assim, vagarosamente, de todas as noites em que meus pensamentos bailavam em um sonho bom, onde, baixinho, pedia que a vida levasse embora quem não merecesse ficar. 
E nessas lembranças fulgazes, percebo que a vida me deu aquilo que eu tanto pedi.
Quanto à gratidão? 
Essa carrego dentro de mim com a mesma intensidade de antes.
Afinal, eu aprendi a sorrir e tuas atitudes jamais serão capazes de me ferir. 
Obrigada pelo muito que me ensinastes. 
E, sobretudo, obrigada por não teres ficado o tempo necessário para ruir o que de tão puro, deixou de existir. 

(Escrita por Versos Ditos)

segunda-feira, 10 de novembro de 2014

Malas prontas


Aquilo que tinha tudo para dar certo,
Desmorou junto com a dor que guardava dentro do peito.
Sabia que as coisas tinham que ser diferentes dali para frente.
E assim,
Quase sem querer,
Vestiu seu melhor vestido
E com as malas prontas junto à porta,
Partiu para nunca mais voltar...

(Escrita por Versos Ditos)

sexta-feira, 7 de novembro de 2014

Jornada


Guardo no rosto
As lembranças de toda uma vida.
Enquanto envelheço carrego em mim um aconchego
Um gosto de lar.
Tenho medo do escuro e da solidão
Mas aprendi a lidar com aquilo que me traz medo.
Receios,
Já tive muitos
Hoje só carrego das pessoas
De todas as vezes que me fizeram chorar.
Sou forte como aço
E não quebro na primeira tempestade.
Para me convencer a ficar
Precisa me convencer a não partir.
Sinônimos que,
Na prática,
Destoam entre si.
Sempre quero mais
Busco mais
Evoluir.
Não gosto daquilo mais ou menos
Meia dúzia,
Tanto faz.
É oito ou oitenta,
Sem a imensidão de possibilidades escondida entre um e outro.
A vida me fez dura
No momento que me ensinou a levantar
E a nunca mais cair.
Vivo no topo
No alto das nuvens
Com pensamentos só meus.
Compartilho a experiência da bondade
Compartilho o amargo da saudade.
Fui de poucos
E ninguém me carrega nas mãos
Há muitas brechas invisíveis entre os dedos cerrados.
Queria ter o mundo,
Mas rapidamente convenço-me que o peso seria demais.
Sou um pouco de tudo,
Mas nunca de nada.
O nada se esvai no meio da tempestade...
Sonho com dias melhores
Mas percebo que não existem dias melhores.
Um passo de cada vez
Completando mais essa jornada...

Jogos


Faço aquilo que me ensinastes a fazer. Enquanto finges que se importas, entre conversas sem nexo, fúteis para não quebrar um elo que nunca existiu. 
Eu finjo não entender a tua ausência, enquanto finges que tudo está como deveria estar. 
Fizemos este um jogo, onde teus movimentos tão previsíveis, são tão invisíveis para ti. 
Pensas que não percebo teus próximos passos, acreditando que o teu fingimento, manteria-me junto a ti.
Eu finjo que me importo, mais uma vez...
Evito uma briga qualquer e esboço um velho sorriso torto, cujo significado reside dentro de mim.
Percebi que já não serves para mim e, sem nem ao menos notares, afasto-me lentamente de ti. 
Há um mundo todo pela frente...
E neste jogo doentio, o único ganhador sou eu.
Que finjo para não brigar, enquanto tu finges para me manter junto a ti!

(Escrita por Versos Ditos)
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