quinta-feira, 28 de junho de 2018


Seus cabelos ainda ressecados, o suor frio que banhava seu corpo, alucinações...
Alguém que sequer conhecia, mas que se tornara seu cúmplice em mais esse crime sombrio. Jogada em um canto qualquer, invisível aos olhos daqueles que não se importavam, despida de toda consciência moral do certo e errado, era mais um dia. Um resto de vida roubado de sua juventude, de seus 20 anos.
Um passado de dor, ódio e rancor daqueles que nunca lhe amaram e que lhe trouxeram para esse mundo, esse fim em si mesma, esse looping de euforia e sofrimento mascarado pelo prazer momentâneo a que se permitia.
Ela se encontrava e se perdia todos os dias. Era um vício mais forte do que sua vontade de fugir. Ela simplesmente se entregava. Já não recordava sua aparência no espelho, ou de momentos em que era feliz. Já não existiam...
Seus ossos sobressalentes, seus dentes malcuidados, cicatrizes que eram perfuradas novamente dia após dia.
Talvez a dor que embalava seus pensamentos agora, num momento raro de sobriedade, fizesse algum sentido no meio de tanta sujeira e destruição.
Talvez a vida lhe reservaria algo melhor, dias melhores, uma vida melhor.
Talvez...
E na incerteza do que havia por existir, ela fechou os olhos mais uma vez, esquecendo do Sol que queimava sua pele anunciando mais um começo de dia.
Um dia que se perdia no meio de tanta aflição. Alucinação...

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