quarta-feira, 10 de dezembro de 2014
Sombra
Despida de vaidades
Maltrapilha de sentimentos
Segue o caminho em frente
Sem nunca chegar a lugar algum
Por muitas vezes seguiu atalhos
Cobertos de flores
Que rasgaram sua pele
Com seus implacáveis espinhos
Já não se arrisca a buscar
Outras direções
É seu destino andar esta estrada
De desamores, desilusões e lágrimas.
Não, já não há mais lágrimas.
Já as chorou todas
Há um vale em seu rosto
Por onde elas passaram
Secadas pelo sol ardente
Que já não queima sua pele
Farrapos foi só o que restou
Restos de amores desamados
Sobras de carinhos fugazes
Olha para trás para ver se alguém a segue
Mas nem mesmo sua sobra lhe acompanha
Totalmente só em sua solidão
Deu tanto de si
E hoje cambaleia por entre vazios
Criou perspectivas,
Coloriu mundos
Fez castelos e se fez princesa
Foi bondade, foi meiguice.
Foi em vão
É cinza seu céu, sua estrada e sua vida.
As cores se apagaram de seu olhar
O brilho, também, já não existe.
Com os pés sangrantes
Caminha em direção ao nada
Onde nem sua sombra ousa ir.
Carmen Mattos.
terça-feira, 9 de dezembro de 2014
Tempo de Gestar
Faz tanto e tão pouco tempo, que já não sei medir em anos, dias ou horas.
Tudo começou sem querer começar e já começado foi abençoado.
Tantos contratempos, tantos senões e mesmo assim viestes.
Devagarzinho, sem querer incomodar.
Bem quietinha, quase não te mostravas.
Assim chegastes.
Chegaste diferente.
Brigando, lutando, vivendo.
Mas, sempre quietinha.
Eu te via e via através de ti toda a força que emanavas.
Enquanto todos te evitavam, eu ficava ali a te olhar.
Sorria ao ver-te mexer as pequenas mãozinhas, balançar as perninhas.
Sorria ao ver-te te rir dos que não criam em tua força.
E hoje, sei lá quantos anos, horas ou dias depois.
Encontras-te com aquilo que um dia foi dentro de ti
Dividindo o mesmo sentimento que um dia tive
De te proteger e de te agasalhar com meu corpo.
Entendes, agora, a responsabilidade de se ter dentro de si.
Entendes que nada que fizeres será o bastante.
Entendes que és coadjuvante na história da vida.
Mas, acima de tudo, entendes que nada nem ninguém.
Poderá cortar este cordão umbilical invisível que os une,
Nem mesmo tu.
Carmen Mattos
segunda-feira, 8 de dezembro de 2014
Perdão
Quero te pedir perdão.
Perdão pelas palavras ditas e não ditas
Perdão pela falta de brincadeiras.
Perdão por estar sempre cansada
Perdão por ser tão dura
Perdão por não entender os teus limites
Perdão por te querer sempre vitoriosa
Perdão por não entenderes o quanto eu te amava
Perdão por não me fazer amar
Perdão por sofrer por isso
Perdão por ter ciúmes de teus outros amores
Perdão por não ser aquela a quem querias
Perdão por achar que fazia o melhor para ti
Perdão por não perceber que sofrias
Perdão por te fazer sofrer
Perdão por te amar assim escondidinho
Perdão pelo imenso amor que tinha por ti
Perdão por ter tanto orgulho de ti
Perdão por chorar escondido
Perdão por não deixar que secasses minhas lágrimas
Perdão por não secar as tuas
Perdão por te amar cada dia mais
Perdão pelas tuas lembranças
Perdão por nem sempre crer nelas
Perdão por não me defender
Perdão por ter desistido de falar
Perdão por te esconder as verdades
Perdão por te deixar viver a mentira
Perdão por tudo que fiz
Perdão por tudo que deixei de fazer
Perdão por achar que uma boneca substituiria um abraço
Perdão pelas noites que passei fora
Perdão pelas festas de colégio que faltei
Perdão por te fazer sentir menor
Perdão por não te dizer o quando eras importante
Perdão por ter errado tanto
Perdão, eu só queria acertar.
Carmen Mattos
sexta-feira, 5 de dezembro de 2014
Algoz
Por vezes escutastes
No fundo do teu ouvido que não eras nada
E que nunca serias.
As palavras,
Ao passar dos anos,
Foram aos poucos se tornando realidade.
A tua realidade!
Convenceste-te da veracidade das palavras indignas
E assim passastes teus dias.
Fazias de tudo para agradar teu algoz
Como um cão morimbundo
No campo de batalha
Segurando as mãos daquele que te feria.
Sangrastes...
Derrubastes todos os teus sonhos
No meio da dor das noites mal dormidas.
Tiraram-te teu mundo,
Deixaram-te sem lar.
E mesmo depois de tanto tempo
As palavras ainda ecoam em teu ouvido
Que,
De tanto sofrer,
Pararam de ouvir
Escutando o vocabulário programado
Daquela que não vive,
Só existe...
quinta-feira, 4 de dezembro de 2014
Plenitude
Gosto de viver da forma que me faz livre.
Sem amarras
E com o gosto de chuva nos meus lábios.
Gosto de experimentar o novo
E descobrir o que é vazio.
Gosto de explorar a felicidade em sua forma mais profunda
E viver com essa plenitude de bem estar.
Gosto do pouco
E crio expectativas.
Gosto do muito.
Sem meio termos
Ou mais ou menos.
Vivo na intensidade do segundo
E das horas que deixam marcas profundas em meu rosto
Trazendo à tona toda a sabedoria obtida com o passar dos anos.
Tenho pressa,
Ao passo que busco calma.
Quero o mundo
Mas sei esperar...
Sei que,
Na minha vida,
Todos que se ausentaram
Um dia hão de voltar.
E com essa certeza que move meus passos,
Aproveito cada manhã,
Cada pôr do Sol.
E vivo de uma forma louca,
Mas completamente real!
segunda-feira, 1 de dezembro de 2014
O que não posso
Perdoar.
Talvez seja a parte mais difícil do fim de ciclos.
Talvez você tenha que esquecer tudo o que aconteceu
E seguir em frente
Carregando toda uma decepção que jogaram em suas costas.
Perdoar pode ser um ato falho
Uma forma de dizer
"Tudo bem por tudo o que fizesses
Podemos seguir em frente".
Mas como perdoar
Quando não há explicações
Um pedido de desculpas
Ou um arrependimento?
Quando o perdão
Abre espaço para brigas
E a certeza que o outro errou.
Não sei,
Ainda,
Como oferecer o meu perdão.
Não sei
Ver você além do seu melhor
Aquilo que desses para mim
E que não consigo acreditar.
O seu melhor,
Talvez não seja o que esperava de você.
As justificativas para seus atos infantis
Talvez não seja a postura de um homem maduro
A qual julgava existir.
Talvez precisasse disso
Para descobrir o seu valor
Que de tão pouco
Tornou-se nulo.
Exigindo muito mais do que o meu perdão...
(Escrito por Natália Mattos)
Volta ao lar
Hoje fui dar meu adeus a uma pessoa que gostava muito.
Gostava por gostar, gostava sem motivos, sem porquês.
Nunca fui tomar o cafezinho que sempre me convidava.
Mas sempre bebi da sua alegria e de seu alto astral.
Brincava comigo dizendo que só nos encontrávamos
Na Igreja e no salão.
Era um puxão de orelhas carinhoso.
Hoje, pude mais uma vez, partilhar de sua serenidade.
Hoje pude lamentar o café não bebido, as risadas não dadas.
Mas, hoje pude também, dizer:
Vá em paz, amiga.
Pois nós nos encontraremos na saudade,
Que é o lugar onde o amor se encontra com a ausência.
(Escrita por Carmen Mattos)
(Escrita por Carmen Mattos)
domingo, 30 de novembro de 2014
Para Carolina
Com o coração em frangalhos e apertado
Eu te disse: tchau
Tu choravas e eu segurava meu pranto
Para que não te sentisses mais sozinha ainda.
Lembrei-me das inúmeras vezes, que quando criança
Procuravas meu colo para te proteger
E eu te abraçava apertado até teu medo passar.
Hoje, não pude esperar o teu tempo de cura
E te deixei ali parada, me vendo partir
Já dentro do carro, dei vazão as minhas lágrimas
Porque minha pequena estava sozinha
Minha pequena com sua pequena
Dividida, queria ficar mais um pouco
Queria guiar seus passos
Enquanto ela guiava novos passos
Mas nossos caminhos seguiam
Direções diferentes
Muito embora, meu coração
Estivesse junto ao seu
Minha pequena agora era mãe
Minha pequena agora era o colo que um dia eu fora
E de colos em colos,
De abraços em abraços
De lágrimas em lágrimas
Nosso destino se cruzava
Eu te deixei sozinha
Mas não te abandonei
Caminhamos pela mesma estrada
E fico dois passos para trás
Para te erguer, se vieres a cair.
Mas não cairás, pois és forte
És guerreira, és mãe
E por isso, dois passos atrás
Não precisando te apoiar
Resta-me olhar a frente
Com orgulho da minha pequena
Que leva em seu colo
A sua pequena.
(Escrita por Carmen Mattos)
(Escrita por Carmen Mattos)
Depois da tempestade
Dividida entre razão e emoção,
Flagrei-me a um segundo de desmoronar.
Enquanto guardava as lembranças no fundo do peito
E lembrava dos momentos bons desde que você partiu.
Assim,
Sem querer,
Fechei os olhos e pedi,
Rezando baixinho,
Que a dor que sentia desaparecesse.
O arco-íris depois da tempestade.
Foi assim que me senti
Depois que me livrei
Das lembranças que tinha de você.
Como doía sempre que sabia
Que você me ignorava
Porque eu simplesmente não era ela.
Jamais saberás a confusão travada pelas suas atitudes.
Gritei o mais alto que podia.
E dessa vez você não estava aqui para me dizer que tudo ficaria bem.
Será que em algum momento você realmente esteve?
Deixe a água apagar qualquer marca
De que algum dia você estava aqui
De que algum dia você existiu
De que algum dia eu gritei
E você não pôde me ouvir...
(Escrita por Natália Mattos)
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