domingo, 26 de fevereiro de 2017

ME DESCULPE

Me desculpe se a minha paz de espírito te agride.
Me desculpe se caminho, sem me ferir, por entre as pedras que colocas no meu caminho.
Me desculpe se lutei e venci minhas batalhas sem nunca pisar em ninguém.
Me desculpe se entre trapaças e traições, nunca conseguiste sonhar teu sonho.
Me desculpe se, ignorando as evidências, sempre te estendi a mão para te fazer uma pessoa melhor.
Me desculpe se não trago um sorriso pronto nem palavras ensaiadas, mas conquisto corações.
Me desculpe se as minhas verdades são maiores que as tuas mentiras.
Me desculpe se te cuidei, te abracei e te amei sem perceber que alimentava o pior em ti.
Me desculpe se tentei te fazer alguém, que nunca fostes, para que pudesses andar pelas ruas.
Me desculpe se escondi todas as tuas mesquinharias por acreditar que encontrarias a luz.
Me desculpe se não tenho a tua voz mansa nem tuas palavras de sabedoria, mas tenho a voz que sai da alma.
Me desculpe se quando sorrio meus olhos brilham e fico iluminada trazendo a sombra para junto de ti.
Me desculpe se sou essência e tu carência.
Me desculpe se chorei a tua perda quando caçoavas de mim pelas costas.
Me desculpe se minha felicidade te dói como uma chaga aberta.
Me desculpe se sempre fui o melhor que havia em ti.
Me desculpe se todas as vezes em que me mataste, veio o Pai e me ressuscitou.


quarta-feira, 11 de janeiro de 2017

EXÍLIO



Duas malas encostadas a parede
Fora tudo o que restara de uma vida
Acabara-se a esperança, a perseverança.
Aquele lugar já não lhe pertencia.
Vagaria por outros ares e lugares.
Na eterna busca de melhores dias.
Cavaria a terra com suas próprias mãos.
Pisaria o chão enquanto resistissem os pés.
Não olharia para trás e nem choraria o ido.
Navegaria por calmarias e mares revoltos.
Fraquejar nunca fora uma opção.
Haveria de lutar até que à morrer estivesse.
Olhava o vazio porque não havia imagens.
O futuro não se desenhara nem pintara.
Mas seus ombros fortes segurariam o mundo.
Que haveria de encher de vitória e louros.
Ingrato destino que lhe roubara a vida
Transformando sonhos em lamentos vãos.
E no balanço das perdas e ganhos,
Adormeceu abraçada as velhas malas,
Pois estas eram tudo o que restara...
De uma vida que nem vivida fora.



EPÍLOGO



Dois olhos frios a fitavam. desnudando sua alma.
Procurou a sua volta por aquele que tanto amara.
Já não havia ninguém, todas as marcas foram desfeitas.
Da boca saiam palavras incompreensivelmente rudes.
Que rasgavam seu corpo e maculavam sua alma.
Lágrimas envergonhadas escorriam pelo seu rosto.
Coadjuvante em toda a trama, não lhe foi dados falas.
Parte do cenário, desapareceria quando as cortinas fechassem.
Artimanhas criadas à noite mostravam a realidade do surreal.
Acreditou estar morrendo, mas a dor que sentia não era o fim.
Enquanto sons sangravam seus ouvidos, imagens se formavam.
Agora se perguntava: não vira ou não quisera ver?
Talvez a verdade fosse chocante demais para ser entendida.
O medo da loucura a cegara num último gesto de compaixão.
Juntou forças, com o peito maltrapilho, permaneceu altiva.
E com os olhos molhados olhava os olhos de seu algoz.

quinta-feira, 22 de dezembro de 2016

Meus pequenos...



Pequenos seres de luz
Que iluminam minha vida
E me fazem sentir viva a todo o instante.
Palavras não poderiam descrever o amor de vocês
E tampouco o elo que nos une.
Meus filhos,
Meus pequenos,
Meus anjos de quatro patas...
Um amor puro e sincero
Na mesma intensidade das estrelas
E de tudo que vivemos até então.
Todas as bolinhas jogadas
Os rastros de patas de lama pela casa
Os tapetes rasgados
O sofá bagunçado
E a faxina no meu coração.
Cada lembrança de vocês é um aprendizado
De como a vida pode ser simples
De como o amor pode ser verdadeiro.
E assim,
Lembrando de vocês com as fotos grudadas na parede
Sinto mais uma vez o gosto da saudade
Em forma de lágrimas que escorrem minha face.
Mas sei que logo estaremos juntos novamente.
Como uma família
Com dois anjos de quatro patas
Aqueles que nos ensinaram a amar...

quarta-feira, 21 de dezembro de 2016

Dentro de mim

Nós vivemos de ilusões
Onde o passado se condensa com o futuro
E o presente se torna inócuo diante de nossas provocações.
Meu coração até então adormecido
Chora por uma razão qualquer
Dos passos que segui até aqui.
Pensei que tudo se ajeitaria
E que o tempo consertaria os buracos deixados no caminho
Enquanto me afastava precipitadamente das tuas mãos
Que insistiam em me segurar.
Correndo desesperadamente
Eu me perdi diante de tantas razões
E tantas mentiras que existiam dentro de mim...

domingo, 27 de novembro de 2016

Cansei - Invisível


Eu cansei...
Em um rabisco sem fim daquilo que sinto
E de tudo que te vi fazendo pelos os outros 
E não por mim
Enquanto imóvel permanecia invisível
Eu cansei!
Cansei de esperar que cumprisses com tuas palavras
Cansei de tentar entender o inexplicável
Enquanto enumeravas baixinho o motivo do meu não merecimento.
Enumeravas,
Na verdade,
O motivo que te levava a dar tanto de ti aos outros
E tão pouco a mim.
E eu via
Nas entrelinhas de tuas razões,
Que quem nunca mereceu fui eu.
E eu fiz tanto por ti
Que simplesmente cansei...
Minhas mãos
Até então invisíveis
Já não estavam dispostas a te segurar
Já não estavam mais...
E te vendo mais uma vez
Enxergando os que não te rodeiam 
E não enxergando a mim
Eu peguei a mala lotada de desilusões
Atravessei a porta tão sem vida
E parei de ser invisível.
Talvez para mim...

sexta-feira, 25 de novembro de 2016

Corda Bamba



As coisas jamais mudariam...
A forma com a qual enxergas o mundo e tentas agradar os que não lhe querem bem,
Fazem de você um equilibrista na corda bamba,
Tentando vencer a barreira da altura.
Ignoras aqueles que lhe estendem a mão,
Buscando sempre alcançar o inalcançável.
És cego na medida em que o óbvio lhe parece peculiar.
Percebes apenas o que lhe convém.
Foram tantos os dias em que me convenci de que isso mudaria
E que fazer o bem ainda seria o melhor caminho.
Andando na contramão da sua razão nós nos perdemos.
Seguimos caminhos tão diferentes, 
Enquanto ainda olho para você,
Com pena de lhe ver prestes a cair.
Mas essa batalha já não é minha.
Na verdade,
Nunca foi!
E assim,
Mantenho-me a uma distância segura
Observando se tudo ficará bem,
Mesmo quando arriscas a cair em um passo em falso.
Oro baixinho para que tudo fique bem
E que o peso que carregas não seja muito
E que não lhe faça cair.
Sabendo que um dia inevitavelmente irás cair...

quinta-feira, 24 de novembro de 2016

“As pessoas sempre irão te decepcionar”
Palavras que sempre me acompanharam e tornaram uma caminhada vazia e solitária.
Acreditava que de repente, em um piscar de olhos, sem dúvidas alguém iria me deixar.
Então, passei a caminhar de olhos fechadas, certa do precipício que se abriria quando eu menos esperasse e o escuro já era confortável.
Senti-me confortável de uma forma que hoje me assusta.
Foi quando, antes que tropeçasse mais uma vez, senti teus dedos entrelaçarem minha alma e acenderem as luzes desse grande teatro.
Pela primeira vez eu enxergava e sabia que o escuro não era confiável.
Que os tropeços me deixaram forte demais, a ponto de me esconder.
E assim, percebi que nem sempre as pessoas me decepcionariam.
Você nunca me decepcionou!

terça-feira, 22 de novembro de 2016

Esse quebra cabeça fantástico que se chama vida
Faz as peças se encaixarem e tudo fazer sentido
E toda aquela tristeza que ficou para trás
Abriu lugar para o melhor dia de todos
O dia em todos os sonhos se tornaram realidade...

segunda-feira, 21 de novembro de 2016

Eu sempre soube



Eu tenho medo do escuro
Medo de tudo que me faz sentir a solidão estalar meus ossos
E minha cabeça girar em tantas emoções.
Por um minuto eu penso que poderia estar com você
E que poderíamos estar contando estrelas no céu
Enquanto você me conta como foi seu dia.
Eu sempre soube que precisava de você aqui do meu lado
Eu sempre soube...
Agora me vejo imaginando você ao meu lado
Me abraçando e dizendo que tudo ficará bem.
Por um momento sinto seu perfume no ar
E me conforto dentre seus braços tatuados
O dia em que dançamos na praia
E que você me abraçou forte
Dizendo que tudo ficaria bem.
Eu sempre soube que precisava de você
Eu sempre soube que precisava de você aqui...
E seu fantasma ainda me assombra
Seu jeito ainda me faz sorrir
E agradeço por todos os dias que tive você ao meu lado.
Porque de alguma maneira
Você me mostrou o mundo
Enquanto dançávamos na praia.
E agora me vejo amarrada
Dentre tantas emoções
Que vivem na minha memória
Enquanto tenho medo da solidão que sua partida me causou
Estalando os ossos do meu corpo
Sufocando enquanto lembro de tudo o que vivemos juntos.
Eu sempre soube que precisava de você aqui.
Eu simplesmente sempre soube...


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