O lago estava cheio. A água
transbordava por suas encostas, como sua felicidade transbordava por seus
poros. Tudo era sereno... a paz e o amor reinavam.
Um dia, sem qualquer explicação, a
doçura mansa foi evaporando-se e enchendo-a de seu líquido claro.
Por vezes, era tanto e com tamanha
força, que escorria de seus olhos. Não mais como o néctar da natureza, mas
salgado como a fúria de Netuno.
Sem nada compreender, ela olhava
incrédula para a secura a sua volta. Tudo era estreiteza.
Os sentimentos se encolhiam, o
absurdo tomava seu lugar, as folhas caiam e os pés sangravam.
O chão se abriu nas fissuras da
aridez de tudo.
Sem saber voar, ela caiu de joelhos
nas profundezas do desconhecido.
A água a trouxe de volta, velejando
aos ventos da sorte. Acordou no salgado das lágrimas de seus olhos que se
derramavam sobre a areia fina.
Encheu o mar com a abundância de seu
sofrer e o mar a encheu na abundância de seu amar.
O equilíbrio se fez presente.
A gota que um dia fora, hoje
resplandecia entre gotas prateadas da lua cheia.
Sentada na areia molhada, sentia a
brisa a esvoaçar seus cabelos e a espuma branca envolver seu corpo. Ela ali
estava, contida numa miscelânea de plenitudes infinitas.
Tudo era sereno, manso e harmônico nas
ondas do lago que se fez pranto e no pranto que se fez mar.

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