Eu tenho pena de ti. Tenho pena
daquilo que carregas em teu peito, no meio de tanta frieza e corrupção. Eu
tenho pena daqueles que te cercam e acreditam em tanta mentira. Tenho pena de
ti quando teus olhos vibram de alegria quando alguém cai em teu plano
doentio. Tenho pena de ti de quando escuto de teus antigos amantes que você nunca foi
feliz. Que sempre esperava mais, procurava mais, acreditava em mais. Eu tenho
pena de ti por ver o que fazes com aqueles que te amam, enganando, manipulando
e dissecando. Tenho pena por saber que o amor acaba diante de tanta frieza,
mesmo quando se trata de teus anjos mais preciosos. Tenho pena por saber que
não poupas nem a eles, nem a si mesma. Tenho pena por ver rirem de ti quando
acreditas estar no topo do mundo, visto que teu mundo é feito de areia movediça e que aos poucos consome tua alma. Tenho pena por saber o que a vida reserva
para o caráter inexistente dentro do ser e por saber que existe algo muito
maior que o que vivemos no momento. Tenho pena enquanto rio de tuas armações
infantis, baseadas em cenas de novela. Tenho pena por saber que tua vida é uma
piada e que tu és a palhaça deste grande espetáculo. Tenho pena de ti porque
toda esta loucura genética que te consome não veio de ti, mas de teu pai. Tenho
pena pela provisoriedade de tuas ações. E no fim do dia, tenho pena de ti
porque a tristeza de ser quem tu és é o pior castigo que a vida poderia te dar.
Tenho pena de ti sobretudo quando te olhas no espelho. E tenho pena do espelho
quando olha para ti...

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