quinta-feira, 28 de junho de 2018


Seus cabelos ainda ressecados, o suor frio que banhava seu corpo, alucinações...
Alguém que sequer conhecia, mas que se tornara seu cúmplice em mais esse crime sombrio. Jogada em um canto qualquer, invisível aos olhos daqueles que não se importavam, despida de toda consciência moral do certo e errado, era mais um dia. Um resto de vida roubado de sua juventude, de seus 20 anos.
Um passado de dor, ódio e rancor daqueles que nunca lhe amaram e que lhe trouxeram para esse mundo, esse fim em si mesma, esse looping de euforia e sofrimento mascarado pelo prazer momentâneo a que se permitia.
Ela se encontrava e se perdia todos os dias. Era um vício mais forte do que sua vontade de fugir. Ela simplesmente se entregava. Já não recordava sua aparência no espelho, ou de momentos em que era feliz. Já não existiam...
Seus ossos sobressalentes, seus dentes malcuidados, cicatrizes que eram perfuradas novamente dia após dia.
Talvez a dor que embalava seus pensamentos agora, num momento raro de sobriedade, fizesse algum sentido no meio de tanta sujeira e destruição.
Talvez a vida lhe reservaria algo melhor, dias melhores, uma vida melhor.
Talvez...
E na incerteza do que havia por existir, ela fechou os olhos mais uma vez, esquecendo do Sol que queimava sua pele anunciando mais um começo de dia.
Um dia que se perdia no meio de tanta aflição. Alucinação...

sábado, 16 de junho de 2018

O que não é

Determinado de tudo o que queria
E todos os passos andados
Toda a vida perdida
Ele se embalava em lembranças
De como tudo era perfeito.
De todas as tardes de verão sentado na areia
Sonhando sonhos até então impossíveis.
Havia um gosto de aventura
De querer mais
Escondido em seu peito cheio de vida.
Ele era ar
Que se dissipava no primeiro suspiro da manhã gelada de inverno
E seu coração era quente como chama
Era um misto de ficar e partir
Amar e ser livre.
Havia tanto ainda para entender não só do mundo
Mas de si mesmo
Havia tanto para se viver. 
Havia tanto a perder...
E o medo de se achar e se perder
Ele amarrou seus pés na areia gelada
Contemplando mais um por do sol
Com pensamentos soltos do que poderia ter sido

Daquilo que nunca foi...

sexta-feira, 15 de junho de 2018

Sem olhar pra trás


Pensamentos soltos pelo ar escondidos no fundo dos seus olhos azuis. Ela contemplava o mar enquanto tentava entender tudo o que viveu até então. Um misto de tristeza, saudade e questionamentos sobre o que teria acontecido. Se naquela noite sem fim eles tivessem se dado as mãos. Se ele tivesse pedido a ela um pouco de paciência, até que as coisas se acalmassem em seu peito. 
O passado, até então desconhecido, era um misto de incerteza do que teria acontecido e certeza das escolhas que ela fez. 
Havia tanta dor no brilho dos olhos dele, de quando um acidente lhe tirou tanto, em tão pouco tempo. Ele só tinha 15 anos e ela só tinha o peso de não ter compreendido. Ou compreendido demais a ponto de assustá-lo. 
Assim como eles se conheceram despretensiosamente num domingo qualquer, eles deixaram de se falar. 
E ele deixou de se importar. 
Enquanto a lembrança da joia que lhe era preciosa ecoava no peito dela e manchavam o seu semblante de arrependimentos. 
O desconhecido do mundo dele, rodeado de pessoas que ela jamais entenderia, a assustava. Ela só queria fugir. 
Apenas queria deixar de sentir que não pertencia àquele lugar. 
Ao passo em que queria que ele lhe abraçasse forte e não a deixasse ir. Que lhe segurasse as mãos e pedisse um pouquinho de paciência. Um pouquinho de tempo.
Para que as feridas em seu peito cicatrizassem e ele pudesse entender o sentido da vida, o sentido de tudo. 
E parasse de se culpar pelo passado, pelas escolhas erradas, pela vida desfeita. 
Ela era tudo o que lhe faltava e completava.
Era um misto de querer e não querer. 
Um coração cheio de vida que sabia tão pouco, que não merecia estar ali. 
Ele era toda a dor do universo em um sorriso frio, como se aquilo pudesse lhe esconder de tanta culpa. 
Trazendo alívio nas primeiras horas da manhã enquanto fugia sem olhar para trás... 












quinta-feira, 26 de abril de 2018

Apenas sendo



Ele era calmaria. Ela era a tempestade. Ele só queria estar ali. E ela queria conhecer o mundo na velocidade do pensamento, até o raiar do dia. Ele já estava cansado e só queria paz. Já ela, ela chegou para tirar essa paz. Eles eram tão diferentes, mas tão iguais. Uma conexão que extrapola a razão humana, que deixa tudo em câmera lenta. Em outro dia, outra época, outro lugar, tudo pudesse acabar diferente. Tudo talvez pudesse fazer sentido... Ele queria. Ela queria. Eles sabiam... Não podiam!

E se perdiam dia após dia, brincando de não fazer sentido. Ignorando a presença que incomodava, deixando dúvidas pelo caminho. Se ele soubesse? Se ela soubesse? Sorrisos no olhar, as vezes em que ele se pegou olhando para ela, talvez tentando entender a tempestade que enlaçava seus pensamentos. Tentando apenas não olhar, quando ela fingia que não percebia. Talvez esse momento fosse o mais difícil. Quando as aparências maltratavam as emoções. E quando os olhos se encontravam...

Fingindo que não se notavam, escondendo tantos pensamentos bons, eles se perderam e se encontraram dia após dia, numa montanha-russa de sentimentos. Amizade, admiração, desprezo, escondendo o elo que os unia. Sendo calmaria ou tempestade. Sendo amor ou ódio. Apenas sendo...

quarta-feira, 21 de março de 2018

Esperança



Quero tocar sonhos.
Fazer um mundo livre
Da cor do arco íris.
Trazer a calmaria no meio da tempestade
No meio de sonhos bons.
Quero prometer as estrelas do céu
E dissipar as nuvens que escurecem uma manhã de domingo.
Ver um sorriso teu
Estampado na alegria que não cabe no peito.
Quero felicidade sincera
Pureza no olhar.
Um mundo de oportunidades.
Algodão doce, pipoca, brigadeiro...
Rir até a barriga doer
Cantar até não sobrar mais melodia
Até o dia amanhecer.
Quero trazer amor
Num caminhão lotado de paz.
Onde não existe fome, tristeza, miséria
Onde os risos dos maus não sobressaiam os sorrisos dos bons
Quero um mundo que existe
E que se apagou no meio de tanta desolação.
De tanta corrupção
De tanto egoísmo...
Quero trazer de volta teus sonhos
Tua segurança
Tua paz.
Sem armas nas ruas
Assassinatos.
Quero redescobrir o mundo que se apagou
E ver acender o brilho no olhar
De todos aqueles que sofrem.
Fazer brotar beleza
Amor
E amizade.
Trazer de volta a fraternidade.
Esta que há tanto anda perdida...

segunda-feira, 2 de outubro de 2017

Eu queria ter o mundo em minhas mãos
Um milhão de oportunidades
Um milhão de sorrisos
Um milhão de amigos.
Eu queria ver o nascer do Sol todos os dias
Mesmo nos dias mais frios.
Eu queria ser um pássaro
E cortar os quatros cantos do mundo
E cantar no teu ouvido a cada manhã de domingo.
Eu queria poder abraçar as árvores
Que com beleza inexplicável cobre o chão de terra
E derruba suas folhas para te ver passar
Para te ver sorrir brincando entre emoções.
Eu queria ser belo
Eu queria pleno.
E o faz de conta que toma conta do universo que habita em mim
Encoberto por todas as escamas que os anos criaram.
E as mãos calejadas do trabalho árduo
Já não podem mais tocar
Sentir
Ou ouvir.
Meu coração pende na leveza da alma
E eu enxergo pela última vez
Como em um suspiro
Toda a beleza que habita em mim
Que habita em ti
E que faz do mundo esse mistério colorido
Essa imensidão de aromas

Que se confundem com teu perfume.

domingo, 16 de julho de 2017

Reflexo quebrado

Havia tanto a ser dito
Que as palavras lhe faltavam o ar.
Era um misto de medo e comoção
Enquanto permanecias inertes dentro de teu próprio universo.
Sempre quisestes ser o centro das atenções
E agora o que havia te restado?
Nada?
Uma imagem vazia no espelho que distorcia os contornos do teu rosto.
Não havia mais nada deixado pelo passado
E o que tinhas agora?
Solidão?
Teus cabelos despenteados
Entregavam a vida que deixastes para trás
Quando tudo o que queria era ser o centro das atenções.
Era o reflexo daquilo que foras outrora
E que já não existia mais.

domingo, 18 de junho de 2017

Afável toda a vaidade que persiste em meus dedos, enquanto toco seu rosto embalado num sonho bom. Quisera eu invadir teus pensamentos e apagar as marcas da saudade que te consomem sempre que fechas teus olhos desta realidade. O gosto angelical da manhã e o teu suor misturado com as gotas límpidas de orvalho, fazem de ti a mais bela perfeição. Talvez minhas palavras não sejam suficientes para expressar aquilo que minha mente projeta de ti. Talvez eu nunca seja o suficiente. Tua pureza e bondade fazem de ti um misto de anjo e de malícia, um misto de toda a perfeição que existe. Tentando não atrapalhar o teu sono agitado, tumultuado por tantos problemas que te consomem, afasto-me baixinho, quase lentamente. Observo-te por uma vez mais e esqueço de mim mesmo. Esqueço de tudo aquilo que não sou quando não estou com você. Ou quando você se perde em mais um sonho bom.
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