Desculpe-me, mas, eu não te
perdôo.
Desculpe-me, mas tua traição
doeu demais.
Desculpe-me, mas as
lembranças de tudo que fui para ti
Não permitem que as minhas
lágrimas sequem
Desculpe-me, mas eu te amei
demais
Hoje sei que foi amor jogado
ao léu
Desculpe-me, mas no meu total
desapego
Creio que não deveria ter te
cuidado
Não deveria ter enxugado tuas
lágrimas
Sentado no chão brincando de boneca.
Ter beijado teus machucados
Compensado o desamor de teus
pais
Com meu amor imensurável
Desculpe-me, mas já não tenho
nenhuma piedade por ti
De tuas inúmeras horas de
sozinhez
Quando brincavas de abandono
Queria poder voltar atrás e
te deixar no escuro
Assustar-te com o bicho papão
Rir-me de teus desalentos
E não te dar a mamadeira que
a tua mãe não amamentou.
Hoje o mundo girou e na gira
deste mundo
Tu ficastes na escuridão da
minha vida
E de lá nunca deverás sair.
O tempo passou, fui mãe de
verdade
Fiz-te irmã das minhas filhas
Dei-te um lar
Dei-te carinho
Dei-te o mais doce de mim.
O tempo passou, hoje és mãe.
Tens filhas
E dá a elas o amor que
aprendestes comigo
Fui a única professora que
tivestes, na arte de amar
Tudo que sabes aprendestes
comigo
Mas, agora estou te ensinando
o desamor.
Desculpe-me, mas as lágrimas
que caem da minha face
São as mesmas lágrimas que
caem das faces das minhas filhas
Que um dia foram tuas irmãs
porque assim eu queria
E também são as mesmas
lágrimas
Que um dia verei escorrer dos
teus olhos
E pingarão naquelas que hoje
amas.
Desculpe-me, mas não há
perdão para a ingratidão.
Desculpe-me, mas te nego o
direito de usar o amor que te ensinei.

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