A cama
estava tão grande! Não, ela não aumentara em nada.
Era a tua
ausência nela que me fazia acha-la assim enorme.
Olhava para
o lado, onde deveria estar o teu corpo deitado,
E nada havia
para que eu pudesse acariciar com minhas mãos.
Teu corpo
colado ao meu, em perfeita e fantástica harmonia.
Teu ressonar
profundo que ia se acalmando com meu abraço,
Até se
tornar um leve respirar calmo e tranquilo na noite fria.
E eu ficava
a te olhar, velando teu sono com olhos de paixão.
E assim,
passado um tempo, dormia ao teu lado serenamente.
Vez por
outra te mexias, te afastavas e sem mesmo acordar,
Puxavas-me
para junto de ti, para ficar envolto no meu amor.
Sentias-te
seguro como um menininho nos braços maternos.
Sentias-te
seguro como um homem nos braços da sua mulher.
Sentias-te
seguro como um pássaro a voar livre pelo céu azul.
Não sei se
como menininho, como homem ou como pássaro,
Foste-te
para bem longe, livre das amarras dos nossos corações.
Meus olhos
já não te alcançavam e não ouvias meus lamentos.
Mas não fui
a tua procura, não mais o faria. Deixar-te-ia solto.
Para que
buscasse outros amores em outros lugares quaisquer.
E entre
lençóis amassados, tu me encontrarias na hora da volta.
Deitarias na
cama grande, como se dela nunca tivesses saído,
Puxaria-me
para junto de si, sem saber ao certo quem era eu.
Verias os
sulcos, formados em meu rosto por todas as lágrimas,
Que foram
choradas enquanto andavas livre pelo teu mundo.
Fingiras não
notar e com teu rosto maroto, sorririas para mim.
Talvez eu te
sorrisse de volta ou talvez encontrasses só lençóis.
E no
emaranhado da cama desfeita, tu ficarias a nos procurar.
Porem, a
tristeza e a solidão, transformara o nós em tu e eu.
Teus olhos
já não me alcançariam e não ouviria teus lamentos.
Sairias a
minha procura, de forma alucinada por todos os lugares,
Sem nunca
conseguir me encontrar, a não ser no teu passado.
No mesmo
lugar aonde me deixaras um dia, sem nem um adeus.
Galopando
sobre o lombo de uma loba, havia refeito meu caminho.
E nesse novo
caminho não havia mais espaço para ti junto de mim.
Entretanto,
poderia ser que me puxasses e lá me encontrasses.
Por ter te
esperado na certeza que um dia, cansado, voltarias.
E meus
braços te envolveriam como a volta do filho pródigo.
Prepararia
uma festa, mataria um carneiro e convidaria a todos,
Anunciando a
tua volta, arrependido e pedindo o meu perdão.
Meu coração
borbulhando de paixão esqueceria o tempo ausente,
E
continuarias meu menino, meu homem e meu pássaro errante,
O tu e eu
nunca desfeito, seria o nós agora para todo o sempre.
E a cama
grande teria o exato tamanho para ocupar nossas vidas.

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