sexta-feira, 9 de janeiro de 2015





Enquanto jazes sobre a cama mal feita, no meio de sonhos confusos que lhe atormentam a mente, respiras fundo e pensas naquilo que lhe tira o fôlego todos os dias ao acordar e antes de dormir.
Lembras dos sonhos desfeitos e de todas as lágrimas que foram secando com o tempo, tornando-lhe fria como forma de proteção.
Escondida, está toda a sua perfeição e aquilo que mostras aos poucos que habitam a sua alma com momentos bons de pura entregação.
A imagem que reflete ao mundo seria tão diferente daquela que carregas consigo?
Questionando-se sobre todos os passos mal dados que lhe conduziram até esse momento, a gratidão lhe domina e percebes que tudo fora meticulosamente planejado.
Seria esse um golpe do Destino?
E assim, no meio desses versos sem fim, percebes que mesmo que algum dia haja um fim na folha do papel, jamais se esquecerás do dia em que seu mundo parou para que um novo ser pudesse ser construído dentro de si...

quinta-feira, 8 de janeiro de 2015

Quem Sabe




Eu sempre disse que tinha mil defeitos, na mesma proporção de qualidades. Eu sempre disse que havia aprendido a viver só e que só entraria em meu mundo quem fizesse meu coração parar e saber que valesse a pena. 
E assim, de mansinho, chegastes e arrancastes sorrisos, esperanças e brilho nos olhos. 
Gostava exatamente daquilo que eras, até que me deparei com uma indiferença que, até então, não sabia que pudesse vir de ti.
Escutei tuas palavras hostis e quietinha, engoli-as como se fossem minhas e te escondi a verdade, com medo de ser mal interpretada, mais uma vez.
Escondi de ti o quanto havia me decepcionado e o quanto tudo parou de fazer sentido, tão de repente.
Tornei a tua indiferença minha e andei nos mesmos velhos conhecidos passos.
Era boa na arte do desapego e, com base nas tuas palavras, deixei-te ir.
Sem perguntas, sem respostas, sem explicações.
Apenas te deixei caminhar rumo ao teu caminho, teu Destino, teu porto seguro.
Deixei-te voar alto para, quem sabe, um dia voltares, apagando todas as palavras que deixastes pelo caminho...

quarta-feira, 7 de janeiro de 2015

ZACK E JOAQUIM


Bolinha, menina assanhada do interior de Goiás,
Com pai e mãe desconhecidos,
Um dia chegou por lá e foi ficando.
Senhorzinho, homem da cidade,
Num dia qualquer do mês de outubro de 2004,
Foi ver suas terras, sua casa, seu descanso.
Chegando por lá, veio depressa o ofegante caseiro.
A lhe dizer: Bolinha deu cria, mas não preocupa não.
Tenho lugar para lhes espalhar.
O homem foi ver os bichinhos recém-nascidos
Eram tantos, de tantas cores.
Que chegou a estontear.
Mas logo seus olhos viram, 
Um pequeno muito engraçado
Tinha metade da cara branca e a outra bem preta
Tinha, também, no lombo negro, um Z bem desenhado.
Olhou mais de perto, e seus olhos se encontraram.
Olho no olho, uma magia se formou.
Ele virou-se para o empregado e falou:
Esse não, esse vai ficar comigo.
E com esse Z das suas costas, vou escrever Zack.
Passadas algumas semanas, Sinhozinho voltou.
Pegou Zack pela nuca e viu o que o bicho
Era um emaranhado de pulgas a balançar o rabo.
Mas a decisão já estava tomada e Zack ia para a cidade
Eram tantos pontinhos pretos pulantes
Que o pequeno teve que viajar na carroceria.
No meio do caminho, parou numa venda.
Para perguntar como fazer para curar o bichano
Põe-lhe Bofo, disseram-lhe, depois de 1 hora dê um banho.
Fica garantido que não fica uma só vivinha.
Assim fez, Sinhozinho e na verdade ficou nenhuma não.
Zack, cachorro da roça, não foi bem aceito na cidade.
Seu “pai” salvou-lhe a vida várias vezes.
Era determinado e queria aquele cão.
E Zack soube que ele lhe queria
E lembrou-se da primeira vez que se olharam
E o homem soube que ele lhe queria
E lembrou-se da primeira vez que se olharam.
Assim se passaram 10 anos.
Para onde o homem olhava, estava Zack.
Para onde Zack olhava, estava o Sinhozinho.
Esbarravam-se a toda hora, se achavam e se perdiam.
Mas quem quisesse procurar por um, bastava procurar o outro.
Foi aí que no dia 18 de dezembro de 2014
Sinhozinho chegou e Zack não correu ao seu encontro.
Meio ressabiado, Sinhozinho saiu a sua procura.
Encontrou-o cabisbaixo, andando com dificuldade.
Mal conseguindo lhe abanar o rabo.
Parecia estar envergonhado de não conseguir lhe fazer festa.
Sinhozinho abraçou-o apertado e com o coração
Disse-lhe: Tudo bem amigo, vamos ao médico,
Você vai ficar bom, pois temos muito caminho a percorrer.
A volta para casa, foi silenciosa.
Sinhozinho teria que andar sozinho, pois seu companheiro.
Já não tinha mais forças. Suas pernas longas estavam frágeis
Nem mesmo, seu delgado corpo conseguia aguentar.
Olharam-se nos olhos, mais uma vez.
E Zack viu lágrimas nos olhos de seu protetor.
Mas estava reconfortado, pois ele ficou ao seu lado.
Mesmo o vendo definhar, sem abanar o rabo. 
Ou segui-lo por onde fosse.
Sombra do que um dia fora, o amor se intensificava.
Que hora boba de morrer, Zack!
Nós não tínhamos combinado isso!
Você não me preparou.
Você não ficou doente.
Você somente foi sumindo,
Pensava Sinhozinho.
E entre lágrimas e uma dor intensa.
Sinhozinho ficou a acariciar
Aquele que foi seu amigo e companheiro
Desde que trocaram o primeiro olhar
Já passados 10 anos.

Carmen Mattos

terça-feira, 6 de janeiro de 2015

Confiança



Desculpe-me se duvidei de ti, do teu caráter e das tuas verdades. Se em um momento brusco em que me perdi, atirei-te pedras sem perguntar por qual caminho seguias. 
Cega, em frente àquilo que tanto me incomodava, não te dei credibilidade e tampouco mensurei aquilo que já conhecia de ti.
Desculpe-me pelas minhas palavras ferozes e pela descrença.
Talvez estivesse tão acostumada ao nada que me vi perdida, em um momento de insanidade, sem saber no que acreditar. 
Não te dei ouvidos e brinquei com a verdade que te pertencia.
Peço desculpas, neste momento de poucas palavras, porque muito aprendi contigo e a metade que és me faz acreditar no novo, no futuro, no amanhã.
O que me ensinas todos os dias, consta somente no livro da vida, que com a tua gentileza e palavras de carinho, vens me mostrando pouco a pouco, devagarinho, para que meus olhos não ceguem diante de alguém de verdade.
Alguém como tu, que me reensinou a confiar com o coração tranquilo.
Alguém que me ensinou a, de olhos vendados, encontrar verdade na escuridão!

segunda-feira, 5 de janeiro de 2015

Oásis



Palavras e mentiras se confundem no menor espaço de tempo, sem que haja tempo para que possas respirar. No meio do elo profundo de si mesmo, questiona-se onde estaria o maior erro e descobres que é dentro de seu corpo que já não suporta as faíscas que queimam a face. Ironicamente sabias que coisas assim aconteceriam na fração de segundos, enquanto seus pés aprenderam a correr o mais rápido possível. Sabes que não existe lar aonde não existe a vontade de ficar. Já não caminhas, imersa diante do abismo que se aproxima do seu peito e percebes que ilusões lhe persuadem sempre que pretendes ficar. Fazes-se de cega e corres na loucura das chagas apontadas à sua face. Cansada, sabes que não podes parar e prossegues nessa jornada sua até que finalmente possas matar a sede, seus pés possam descansar e encontres um abrigo sincero para chamar de lar.

E quanto ao passado?


E ela havia decidido apagar da memória o passado que tanto a atormentou. Todas as desilusões, todas as pessoas que um dia, talvez sem querer, haviam quebrado seu coração.
Ela havia decidido dar um tempo a si mesma e aproveitar a solidão que lhe fazia bem. 
Sem grandes expectativas ou lembranças do passado, ela focou seus olhos à sua própria imagem e aprendeu a ser feliz assim.
Já não dependia do vazio que lhe era oferecido e tampouco semeava mágoas.
Simplesmente caminhava envolta de seu próprio ser.
E assim, quase sem querer, atraiu para si alguém que tinha as mesmas convicções e a fazia rir. 
Seus olhos se encheram de vida e pôde compartilhar com o mundo sua descoberta. 
Entretanto, por ironia do Destino, como mais uma provação da imagem que havia construído de si mesma, o passado bateu à porta em todas as suas formas.
E todos aqueles que haviam virado as costas quando ela mais precisava, subitamente precisavam dela.
Duvidavam de sua capacidade de auto compreensão e achavam que a haviam perdido.
E nesse momento de desespero, batiam à sua porta que agora estava cerrada. 
No meio de tanto barulho e confusão, ela precisava escapar dessa armadilha do Destino.
E assim, ao compreender muito mais de si mesma, ela aprendeu a dizer não.
Virou as costas e fugiu para nunca mais voltar.
E quanto ao passado?
Que bata à porta, pois agora já não há ninguém que possa abri-la.
Está trancada para tudo aquilo que um dia lhe fez mal...

domingo, 4 de janeiro de 2015

Loucura



Risadas, vozes altas.
Estridentes, algumas roucas.
Um vai e vem de cores
Roupas que se movem
Num arco íris surreal
Movimento incessante
De pernas e braços
Gargalhadas sem sentido
Tudo ecoa dentro de mim
Seguro a cabeça com as duas mãos
Na vã tentativa de tapar meus ouvidos
Abro minha boca
E silenciosamente
Solto um grito ensurdecedor
Tudo gira como saia rodada
Fazendo-me marear
No sólido chão a minha volta
Meus olhos vagueiam em volta
A procura de um caminho
Para fugir disso tudo
Vejo-me apoiada nas paredes
Com o grito seco na garganta
Olhos que saltam para fora de mim
E ouvidos abafados pelos ruídos
Quero andar, mas faltam-me forças.
Afaluada na minha paralisia
Sinto minha energia esgotando-se
Papel sentada ereta
Essa é a visão que tenho de mim mesma.

Doce Melodia



Com os lábios meticulosamente borrados de vermelho,
A felicidade havia sido plena nos momentos em que contemplava o semblante que lhe rodeava.
Deitada sobre os ombros que tanto criticava,
Como mais uma implicância sem fundamentos,
Dentre todas que os unia,
O mundo parecia não existir.
O tempo parou,
Na medida em que gargalhava a felicidade
Que exalava no perfume que a perseguia.
Talvez tudo fosse acabar um dia
Ou talvez tudo não passasse de um sonho qualquer.
Mas aquilo a estava fazendo tão bem
Que já valia a pena arriscar.
Pela primeira vez valeria a pena!
Ela profundamente estava feliz!
E assim,
Sem mais nem menos,
Escutando a música que tocava no rádio enquanto ele dirigia
Vendo-o cantar as mais doces melodias
Mais uma vez ela riu
Com brilho nos olhos
E uma chama que ardia o peito
Com toda a verdade do universo.
E com a simplicidade que achava ser tão rara
Mas que finalmente pôde vestir.
De peito e coração abertos,
Escutando mais essa melodia
Na voz daquele que havia lhe devolvido a vontade de sonhar!

sábado, 3 de janeiro de 2015

Adeus





Na primeira vez que foste rude comigo,
Olhei-te espantada e disse Adeus.
Foi tão baixinho que só meu coração ouviu.
Fiquei silenciosamente te olhando,
Nos desencantos do encanto.
Na primeira vez que fostes ríspido comigo,
Olhei-te magoada e disse Adeus.
Foi tão baixinho,
Mas meu coração reconheceu.
Emudecida, te olhei.
Na desesperança da esperança.
Na primeira vez que gritastes comigo,
Olhei-te surpresa e disse Adeus.
Foi tão baixinho,
Mas meu coração apertou.
Estarrecida,
Fechei-me,
Na magia que se perdia.
Na primeira vez que fostes irônico comigo
Olhei-te ferida e disse Adeus.
Foi tão baixinho,
Mas meu coração sangrou.
Sofrida,
Despertei do sonho há muito sonhado.
Na primeira vez que mentistes para mim,
Olhei-te inquieta e disse Adeus.
Foi tão baixinho,
Mas meu coração ouviu.
Decepcionada, chorei
Pela perda da certeza.
Na primeira vez que me desdenhastes
Olhei-te perdida e disse Adeus.
Foi tão baixinho que só meu coração sentiu.
Assustada,
Escondi-me nas profundezas do meu eu.
Na primeira vez que me ignoraste,
Olhei-te cansada e disse Adeus.
Foi tão baixinho,
Mas meu coração reconheceu.
Angustiada,
Perdi-me no passado já não mais distante.
Na primeira vez que me fizestes chorar,
Olhei-te em lágrimas e disse Adeus.
Foi tão baixinho,
Mas meu coração tremeu.
Sozinha,
Senti-me em um caminho sem destino
E entre palavras rudes e ríspidas
Gritos irônicos,
Mentiras e desdenhos
Abandonos e lágrimas,
 Olhei-te decepcionada e disse Adeus
Foi tão baixinho que retumbou no meu peito.
Relutante,
Decidi colocar meu coração novamente no meu corpo,
Já em chagas
Escondido de tuas maledicências
Só para te dizer Adeus!

Carmen Mattos

sexta-feira, 2 de janeiro de 2015

Encontros



Enquanto nossos olhos
Encontram-se na multidão
Quase cerrados, 
Enxergamos a profundeza que há no outro.
Podemos ver aquilo que se tornou imperceptível àqueles que nos rodeiam.
E nesse momento de entrega,
De pureza,
E de Destino,
Em minha cabeça vagam vários pensamentos
De tudo o que vivemos para nos trazer a esse momento tão cheio de vida.
Onde duas almas perdidas se encontraram,
Percebo,
Quase sem querer,
A admiração que nutro por você.
E por mais que tente lhe explicar
Jamais entenderias a profundidade desse sentimento.
Penso em você
E encontro um lar,
O ombro que ampara meus pensamentos
E me fazem sentir a magia existente durante essa noite.
E assim, 
Abraço-lhe o mais forte que meus braços permitem
Para que o momento jamais se esvaia.
Para que um dia,
Olhemos para trás
E possamos perceber que ali foi o início de tudo.
O momento em que dois seres
Tão iguais e tão diferentes
Puderam se encontrar para descobrir o mundo
E descobrir as coisas inexplicáveis que passaram naquele momento
Que de tanta vida
Deixaram-me sem palavras para descrevê-lo
Ou sem palavras para compartilhar aquilo que era só nosso.
Não só momento
Mas duas histórias de vida
Que no acaso inexistente
Tornaram-se uma.


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