domingo, 30 de novembro de 2014

Para Carolina

Com o coração em frangalhos e apertado
Eu te disse: tchau 
Tu choravas e eu segurava meu pranto 
Para que não te sentisses mais sozinha ainda. 
Lembrei-me das inúmeras vezes, que quando criança 
Procuravas meu colo para te proteger 
E eu te abraçava apertado até teu medo passar. 
Hoje, não pude esperar o teu tempo de cura 
E te deixei ali parada, me vendo partir 
Já dentro do carro, dei vazão as minhas lágrimas 
Porque minha pequena estava sozinha 
Minha pequena com sua pequena 
Dividida, queria ficar mais um pouco 
Queria guiar seus passos 
Enquanto ela guiava novos passos 
Mas nossos caminhos seguiam 
Direções diferentes 
Muito embora, meu coração 
Estivesse junto ao seu 
Minha pequena agora era mãe 
Minha pequena agora era o colo que um dia eu fora 
E de colos em colos, 
De abraços em abraços 
De lágrimas em lágrimas 
Nosso destino se cruzava 
Eu te deixei sozinha 
Mas não te abandonei 
Caminhamos pela mesma estrada 
E fico dois passos para trás 
Para te erguer, se vieres a cair. 
Mas não cairás, pois és forte 
És guerreira, és mãe 
E por isso, dois passos atrás 
Não precisando te apoiar 
Resta-me olhar a frente 
Com orgulho da minha pequena 
Que leva em seu colo 
A sua pequena.

(Escrita por Carmen Mattos)

Depois da tempestade


Dividida entre razão e emoção,
Flagrei-me a um segundo de desmoronar. 
Enquanto guardava as lembranças no fundo do peito
E lembrava dos momentos bons desde que você partiu.
Assim, 
Sem querer, 
Fechei os olhos e pedi, 
Rezando baixinho, 
Que a dor que sentia desaparecesse.
O arco-íris depois da tempestade.
Foi assim que me senti
Depois que me livrei
Das lembranças que tinha de você.
Como doía sempre que sabia 
Que você me ignorava
Porque eu simplesmente não era ela.
Jamais saberás a confusão travada pelas suas atitudes.
Gritei o mais alto que podia.
E dessa vez você não estava aqui para me dizer que tudo ficaria bem.
Será que em algum momento você realmente esteve?
Deixe a água apagar qualquer marca
De que algum dia você estava aqui
De que algum dia você existiu
De que algum dia eu gritei 
E você não pôde me ouvir...

(Escrita por Natália Mattos)

sábado, 29 de novembro de 2014

Ame-se


O que é o amor? Durante muito tempo vagava achando que o Amor era uma criação de dependência. E com esse pensamento ruim sempre atraí os tipos errados que achava serem "os certos". Acreditei que pudesse ter o mundo através deles e, com esses pensamentos que me acorrentavam, via-me sendo sugada de emoções todos os dias, até que o jogo me entediava. E assim passei meus dias...
Aos poucos, no decorrer da vida, percebi que antes de amar o outro, é necessário se descobrir, amar-se com toda a plenitude do universo e ser feliz assim.
Descobri, com passos tortos, que é possível ganhar o mundo, sem que alguém jogue teu mundo aos teus pés, com mentiras.
E agora?
Estou apaixonada por mim mesma.
Com todo o coração e alma.
Pelo aquele ser que paira em frente ao espelho e por tudo aquilo que o Universo tem me dado de volta desde que aprendi o segredo do Amor. 
Ame-se, cuide-se, seja um reflexo de tudo aquilo que sempre quisestes ser. 
E, acima de tudo, seja grato.
Seja grato por tudo aquilo que te fez mais forte, mesmo que não o recebas de volta. 
Afinal, é a Lei do Universo: tudo que você faz volta com a mesma intensidade para você.
Então mesmo que haja mil corações partidos, rir ainda é o melhor remédio.
E seja grato...

(Escrita por Natália Mattos)

Outra vez




Hoje não tenho com quem falar e vou te usar como meu silencioso e compreensivo ouvinte. Aliás, acho que nunca tive com quem falar. Todas minhas angústias, medos, tristezas e aflições sempre foram compartilhadas com a morna água do chuveiro. Sem uma palavra, ela me abraçava misturando se as minhas lágrimas num processo que não sei se aumentava meu pranto ou se o diluía enquanto desciam pelo meu corpo nu em direção ralo. Hoje, mais uma vez vi a materialização da minha dor se encontrar, silenciosamente com sua velha companheira e vagarosamente ser expulsa pelos minúsculos buracos plásticos do chão no Box. Não foi diferente do que ocorria anos atrás quando tinha mil decisões a tomar sobre o futuro das meninas. Como Salomão, eu era a ordem, o deus, o poder. E para exercer tamanha força somente com a sabedoria que só a dor e o medo ensinam. Hoje a dor doeu muito. Foi diferente no seu sentir, mas não no seu doer. Já na rua sentia as chagas me destruindo alma, corpo, dignidade, orgulho, pudor, luz e sombra. Procurava um lugar para me esconder, mas tudo estava aberto. As pessoas olhavam discretamente, minhas mãos que subiam aos olhos e secavam a dor que teimava em se fazer sentir.

(Escrita por Carmen Mattos)

sexta-feira, 28 de novembro de 2014

Insônia

São 02:12h e hoje está fazendo 32 dias que não escuto tua voz. Hás de dizer que não fiz tudo que pude e, eu te responderei que dei o melhor de mim. Hás de dizer que foi pouco e, eu te responderei que era tudo que tinha. Minha bagagem era de desamor, era de vergonhas, de humilhações e, assim tive que buscar, em exemplos que não tinha, uma forma de aprender. Não queria que meu passado fosse teu presente. Não queria que sofresses além do necessário exigido pela vida. Não queria que por falta de exemplos, seguisses os exemplos que te cercavam. Assim sendo fui, muitas vezes, dura, muitas vezes exigente, muitas vezes impaciente e, muitas vezes somente estava cansada. O que entendias por descaso e por rigidez, era somente medo. Medo de errar; medo de não seres a pessoa que hoje, és; medo de falhar. Anos se passaram, entre meus acertos e erros, te tornastes uma vencedora e como me orgulho disso! Hoje, na insônia de minhas noites, sinto falta dos dias em que te carregava no colo e escovava teus dentinhos enquanto ainda dormias no frio inverno do sul. Sinto falta de colocar teu uniforme, erguendo com esforço, cada membro teu ainda adormecido. Sinto falta de, depois de um dia inteiro de exaustivo trabalho, te cobrar a tabuada que dizias que nunca irias aprender. Aprendestes. Sinto falta de brigar por causa das amizades que fazias. Sinto falta dos tempos em que ficavas de castigo por causa das notas escolares. Sinto falta de quando me olhavas com ódio porque te achavas preterida. Eu sabia, ou pensava que sabia que, um dia entenderias que só te queria no caminho certo, te queria vencedora, te queria fazendo a diferença. E, hoje, és tudo isso, só que não faço parte das tuas conquistas, mesmo assim tenho muito orgulho de ti. A morte canoniza. Na morte as coisas ruins são esquecidas e lembra-se somente do que era bom, do que era engraçado, do que era bizarro. Todas as fraquezas, todas as maledicências, todas as feridas abertas são, escondidas num lugar escuro da nossa memória e assim tornamo-nos quase santos. Então, sei que um dia, terei teu amor, teu carinho e teu reconhecimento. Sei que um dia me defenderás das pessoas que me criticam. Sei que um dia um dia dirás: mãe eu venci, obrigada!

(Escrita por Carmen Mattos)

quinta-feira, 27 de novembro de 2014

FAXINA D’ALMA

Gosto de escrever para limpar minha alma. De outra forma não consigo vencer meus fantasmas, matar meus medos ou enxugar meu pranto. É ditando os meus sentimentos para o papel que consigo nocautear minhas mágoas. E já foram tantas! Tantas coisas abriram chagas profundas, crônicas, incuráveis, fétidas e dolorosas por muito tempo ou por todo o tempo. Assim vou passando para o papel o que sai das feridas nunca cicatrizadas, sempre latentes que, vez por outra, teimam em re-sangrar. Sei que isso não mudará meu mundo, minha vida, mas sei que isso me dará alívio no instante em que permito que toda a dor de minha alma purgue para meus escritos. Escritos vagos, escritos pagãos, escritos analgésicos. Não tenho a pretensão de ser lida ou mesmo entendida. Não, meu objetivo é falar o que está preso dentro de mim. Falar o desconhecido de todos. Falar para eu mesma ouvir. A lógica e o entendimento, não constam no dicionário de vida do qual me utilizo. Na verdade, nada consta em lugar algum exceto em algum lugar dentro de mim, que eu mesma custo a localizar. Por vezes se encontra no coração, noutras na alma, também pode ser encontrada nas palavras não ditas, no abraço não dado ou no telefonema nunca recebido. É engraçado esse meu doer. Ele dói e é só isso. Não escolhe lugar, hora ou momento certo para se apossar de mim. Ele vem dominador e faz-se presente sem que eu menos espere. É um doer doído em que a dor, como é conhecida, não está presente. E é com esse caos chamado sofrer que tenho convivido por tanto tempo e, que me derrota e eu a derroto, vezes sem fim. Como num jogo de xadrez, vence quem olha o horizonte. Inúmeras são às vezes em que sou feliz porque estás feliz, mas a tua felicidade me deixa infeliz. Como é difícil dirigir a vida quando a estrada é tortuosa e, por melhor que faças, sempre há de surgir uma curva súbita ou uma sinalização errada. Como é difícil, curar dores que desconheces a causa. Como é difícil te fazeres entender quando caminhas por uma Torre de Babel. Como é difícil implorares o que é teu por direito.

(Escrita por Carmen Mattos)

quarta-feira, 26 de novembro de 2014

Eu só tenho pena de ti


Eu tinha 11 anos quando nascestes. Asilada por causa de um amor traiçoeiro, Não tinha casa nem lar. Tu tinhas casa, mas não tinhas lar. Teu enxoval era de roupas encardidas pelo uso As únicas coisas novas que tinhas, eram os casaquinhos de lã feitos pela tua avó, nas longas noites de frio e sofrimento. Teu berço ficava entre a parede e o peito da tua avó, que mal se mexia por medo de machucá-lo. Não fostes amamentado, e era eu quem fazia tuas mamadeiras e depois tuas papinhas Tu me ensinaste a trocar fraldas, a testar a temperatura do leite na mão, a embalar para ninar. Contigo dei meus primeiros passos na minha história de mãe. Quando estavas com oito meses, fomos embora, em busca da felicidade que nunca veio. Depois teus pais nos seguiram, mas, tu ficaste com a outra avó, tão carinhosa, como a primeira. Quatro anos se passaram, até que novamente te tive nos braços. Eras tão carinhoso! Adorava, quando chegava da escola e vinhas correndo ao meu alcance e enlaçavas minhas pernas. Adoravas ficar no meu quarto enquanto eu estudava. Ficavas quietinho na minha cama, me olhando com adoração. E eu te olhava com adoração! Eras o meu pequeno príncipe. Assim, passaram-se seis anos. Brincávamos, ríamos, jogávamos, rolávamos no chão e eu te abraçava apertado e tu te aconchegavas no meu abraço. Depois disso, partistes e só te via eventualmente, mas, o meu amor era o mesmo. Aos 17 anos, sem nunca ter tido um lar na tua casa, perdestes a casa também. Já não te queriam. Eu te abriguei. Dei-te tudo que te fora negado. Dei-te carinho, dei-te amor, dei-te uma família. Durante um ano, voltastes a ser o menininho que me esperava no portão todos os dias e enlaçava minhas pernas num abraço amoroso. Voltastes a sorrir, brincavas como o menino de outrora, eras feliz. Nos teus 18 anos, ganhastes a carteira de motorista. Como ficaste feliz. Sentias-te um homem! Mas, novamente, tivestes que partir. E depois desta derradeira partida, não sei em que momento te perdi. Esquecestes todo um mundo de afeto e te apegastes a ídolos pagãos. Pessoas que nunca te quiseram nunca te acarinharam nunca te deram um lar. Tua avó que já não podia fazer casaquinhos de tricô para te agasalhar do frio que a vida te oferecia, morreu tendo tua foto a sua frente. Nunca entendendo o porquê de já não estares ali, deitadinho entre a parede e seu corpo, com o único calor que conhecestes nos teus primeiros meses. Eu, mais feliz que ela, pude chorar a tua morte no meu coração mesmo sem entendê-la. Todas as palavras que te disse com carinho, todo o amor que te doei ao longo dos anos, tu me devolvestes em forma de injúrias, calúnias e desapego. Com o beijo de Judas, traístes quem mais te amou. Por isso, eu não tenho pena dos Josés, dos Joaquins nem das Marias. Eu só tenho pena de ti!

(Escrita por Carmen Mattos)

terça-feira, 25 de novembro de 2014

Liberdade


Quisera eu
Sentir muito pelas tuas palavras vazias
Em um momento sóbrio de honestidade.
Quisera eu
Lamentar por tudo aquilo que deixou de existir,
Subitamente.
Quisera eu
Não tecer breves palavras para descrever o que sinto agora.
Porque o que sinto,
Jamais compreenderás.
Jamais entenderás o peso
Que abandonou o meu peito
Em um momento raro de honestidade.
Quisera eu
Que você pudesse achar que minhas palavras,
Agora,
Não são de brincadeira
E não se desmancham como o papel sob a chuva.
Quisera eu
Que o tão pouco
Fosse muito.
E assim,
De tanto querer,
De tanto pensar,
De tanto indagar,
Percebo que nada quisera eu
Além de tuas palavras vazias em um momento brusco de honestidade!

(Escrita por Versos Ditos)

Saber



Sabes, quantas vezes ela perguntava por ti, todos os dias? Dezenas.
Sabes, quantas vezes ela perguntava por ti, no mês?
Centenas.
Sabes, quantas vezes ela perguntava por ti, por ano?
Milhares.
Sabes por quantos anos isso se repetiu?
Não, não sabes.
Sabes, quantas vezes ouvi as mesmas histórias: da tua infância, da tua adolescência, do teu casamento, dos teus filhos, da tua infelicidade que tanto a fez chorar, da tua maturidade imatura}? Não, não sabes.
Sabes, quantas vezes ela me chamou de madrugada, perguntando se havias chegado porque, já estavas escuro e teu pai iria brigar? Não, não sabes.
Sabes, quanto seus olhos brilhavam quando me falava que fazia vestidos iguais para as duas, quando eras criança?
Não, não sabes.
Sabes, como ela se orgulhava de ti?
Não, não sabes.
Sabes, a única coisa que ela esperava de ti?
Não, não sabes.
Sabes, como era reconfortante mentir-lhe dizendo que estivestes aqui semana passada e, ela meio envergonhada, respondia: “Minha cabeça já não está valendo nada”?
Não, não sabes.
Sabes, que inúmeras vezes o telefone tocava e, quando eu desligava, dizia que eras tu querendo saber dela. Sabes como ela ficava feliz?
Não, não sabes.
Sabes, o que era mais doloroso?
Não, não sabes.
O mais doloroso, era os pequenos instantes de lucidez, quando ela se dava conta que de nada sabias e me olhava com um olhar perdido como se perguntasse: por quê?
Duas lágrimas silenciosas escorriam de seus olhos e, ela voltava para seu mundo de faz de conta.
Sabes, o quanto era bom quando ela, também, não sabia o que não sabes?
Mas tudo isso que não sabes, nunca irás saber, porque, o tempo passou para ti e para ela.
Sabes o que resta agora?
Não, eu também, não sei.

(Escrita por Carmen Mattos)

segunda-feira, 24 de novembro de 2014

Desalento


Ela veio por entre a neblina
Via vultos disformes
Com seu olhar embaçado
Tropeçava em pedras desnudas
Que faziam de seu corpo
Um emaranhado de cicatrizes
Por vezes rastejava sem forças
Perdidas após tantas batalhas
Quando avistava uma mão estendida
Erguia a sua para então sentir
O gélido orvalho de uma noite de inverno
Assustada, dava um passo atrás.
E sucumbia no abismo de si mesma
Não lembrava ter vivido de outra forma
Não conhecia o calor de um amor verdadeiro
Já não acreditava haver outro caminho
Assim seguia em frente
Caminhando, caindo, rastejando
Em direção à escuridão
Que, enfim, traria cura.
Para seus desalentos.

(Escrita por Carmen Mattos)
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