terça-feira, 25 de novembro de 2014

Saber



Sabes, quantas vezes ela perguntava por ti, todos os dias? Dezenas.
Sabes, quantas vezes ela perguntava por ti, no mês?
Centenas.
Sabes, quantas vezes ela perguntava por ti, por ano?
Milhares.
Sabes por quantos anos isso se repetiu?
Não, não sabes.
Sabes, quantas vezes ouvi as mesmas histórias: da tua infância, da tua adolescência, do teu casamento, dos teus filhos, da tua infelicidade que tanto a fez chorar, da tua maturidade imatura}? Não, não sabes.
Sabes, quantas vezes ela me chamou de madrugada, perguntando se havias chegado porque, já estavas escuro e teu pai iria brigar? Não, não sabes.
Sabes, quanto seus olhos brilhavam quando me falava que fazia vestidos iguais para as duas, quando eras criança?
Não, não sabes.
Sabes, como ela se orgulhava de ti?
Não, não sabes.
Sabes, a única coisa que ela esperava de ti?
Não, não sabes.
Sabes, como era reconfortante mentir-lhe dizendo que estivestes aqui semana passada e, ela meio envergonhada, respondia: “Minha cabeça já não está valendo nada”?
Não, não sabes.
Sabes, que inúmeras vezes o telefone tocava e, quando eu desligava, dizia que eras tu querendo saber dela. Sabes como ela ficava feliz?
Não, não sabes.
Sabes, o que era mais doloroso?
Não, não sabes.
O mais doloroso, era os pequenos instantes de lucidez, quando ela se dava conta que de nada sabias e me olhava com um olhar perdido como se perguntasse: por quê?
Duas lágrimas silenciosas escorriam de seus olhos e, ela voltava para seu mundo de faz de conta.
Sabes, o quanto era bom quando ela, também, não sabia o que não sabes?
Mas tudo isso que não sabes, nunca irás saber, porque, o tempo passou para ti e para ela.
Sabes o que resta agora?
Não, eu também, não sei.

(Escrita por Carmen Mattos)

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...