terça-feira, 6 de janeiro de 2015

Confiança



Desculpe-me se duvidei de ti, do teu caráter e das tuas verdades. Se em um momento brusco em que me perdi, atirei-te pedras sem perguntar por qual caminho seguias. 
Cega, em frente àquilo que tanto me incomodava, não te dei credibilidade e tampouco mensurei aquilo que já conhecia de ti.
Desculpe-me pelas minhas palavras ferozes e pela descrença.
Talvez estivesse tão acostumada ao nada que me vi perdida, em um momento de insanidade, sem saber no que acreditar. 
Não te dei ouvidos e brinquei com a verdade que te pertencia.
Peço desculpas, neste momento de poucas palavras, porque muito aprendi contigo e a metade que és me faz acreditar no novo, no futuro, no amanhã.
O que me ensinas todos os dias, consta somente no livro da vida, que com a tua gentileza e palavras de carinho, vens me mostrando pouco a pouco, devagarinho, para que meus olhos não ceguem diante de alguém de verdade.
Alguém como tu, que me reensinou a confiar com o coração tranquilo.
Alguém que me ensinou a, de olhos vendados, encontrar verdade na escuridão!

segunda-feira, 5 de janeiro de 2015

Oásis



Palavras e mentiras se confundem no menor espaço de tempo, sem que haja tempo para que possas respirar. No meio do elo profundo de si mesmo, questiona-se onde estaria o maior erro e descobres que é dentro de seu corpo que já não suporta as faíscas que queimam a face. Ironicamente sabias que coisas assim aconteceriam na fração de segundos, enquanto seus pés aprenderam a correr o mais rápido possível. Sabes que não existe lar aonde não existe a vontade de ficar. Já não caminhas, imersa diante do abismo que se aproxima do seu peito e percebes que ilusões lhe persuadem sempre que pretendes ficar. Fazes-se de cega e corres na loucura das chagas apontadas à sua face. Cansada, sabes que não podes parar e prossegues nessa jornada sua até que finalmente possas matar a sede, seus pés possam descansar e encontres um abrigo sincero para chamar de lar.

E quanto ao passado?


E ela havia decidido apagar da memória o passado que tanto a atormentou. Todas as desilusões, todas as pessoas que um dia, talvez sem querer, haviam quebrado seu coração.
Ela havia decidido dar um tempo a si mesma e aproveitar a solidão que lhe fazia bem. 
Sem grandes expectativas ou lembranças do passado, ela focou seus olhos à sua própria imagem e aprendeu a ser feliz assim.
Já não dependia do vazio que lhe era oferecido e tampouco semeava mágoas.
Simplesmente caminhava envolta de seu próprio ser.
E assim, quase sem querer, atraiu para si alguém que tinha as mesmas convicções e a fazia rir. 
Seus olhos se encheram de vida e pôde compartilhar com o mundo sua descoberta. 
Entretanto, por ironia do Destino, como mais uma provação da imagem que havia construído de si mesma, o passado bateu à porta em todas as suas formas.
E todos aqueles que haviam virado as costas quando ela mais precisava, subitamente precisavam dela.
Duvidavam de sua capacidade de auto compreensão e achavam que a haviam perdido.
E nesse momento de desespero, batiam à sua porta que agora estava cerrada. 
No meio de tanto barulho e confusão, ela precisava escapar dessa armadilha do Destino.
E assim, ao compreender muito mais de si mesma, ela aprendeu a dizer não.
Virou as costas e fugiu para nunca mais voltar.
E quanto ao passado?
Que bata à porta, pois agora já não há ninguém que possa abri-la.
Está trancada para tudo aquilo que um dia lhe fez mal...

domingo, 4 de janeiro de 2015

Loucura



Risadas, vozes altas.
Estridentes, algumas roucas.
Um vai e vem de cores
Roupas que se movem
Num arco íris surreal
Movimento incessante
De pernas e braços
Gargalhadas sem sentido
Tudo ecoa dentro de mim
Seguro a cabeça com as duas mãos
Na vã tentativa de tapar meus ouvidos
Abro minha boca
E silenciosamente
Solto um grito ensurdecedor
Tudo gira como saia rodada
Fazendo-me marear
No sólido chão a minha volta
Meus olhos vagueiam em volta
A procura de um caminho
Para fugir disso tudo
Vejo-me apoiada nas paredes
Com o grito seco na garganta
Olhos que saltam para fora de mim
E ouvidos abafados pelos ruídos
Quero andar, mas faltam-me forças.
Afaluada na minha paralisia
Sinto minha energia esgotando-se
Papel sentada ereta
Essa é a visão que tenho de mim mesma.

Doce Melodia



Com os lábios meticulosamente borrados de vermelho,
A felicidade havia sido plena nos momentos em que contemplava o semblante que lhe rodeava.
Deitada sobre os ombros que tanto criticava,
Como mais uma implicância sem fundamentos,
Dentre todas que os unia,
O mundo parecia não existir.
O tempo parou,
Na medida em que gargalhava a felicidade
Que exalava no perfume que a perseguia.
Talvez tudo fosse acabar um dia
Ou talvez tudo não passasse de um sonho qualquer.
Mas aquilo a estava fazendo tão bem
Que já valia a pena arriscar.
Pela primeira vez valeria a pena!
Ela profundamente estava feliz!
E assim,
Sem mais nem menos,
Escutando a música que tocava no rádio enquanto ele dirigia
Vendo-o cantar as mais doces melodias
Mais uma vez ela riu
Com brilho nos olhos
E uma chama que ardia o peito
Com toda a verdade do universo.
E com a simplicidade que achava ser tão rara
Mas que finalmente pôde vestir.
De peito e coração abertos,
Escutando mais essa melodia
Na voz daquele que havia lhe devolvido a vontade de sonhar!

sábado, 3 de janeiro de 2015

Adeus





Na primeira vez que foste rude comigo,
Olhei-te espantada e disse Adeus.
Foi tão baixinho que só meu coração ouviu.
Fiquei silenciosamente te olhando,
Nos desencantos do encanto.
Na primeira vez que fostes ríspido comigo,
Olhei-te magoada e disse Adeus.
Foi tão baixinho,
Mas meu coração reconheceu.
Emudecida, te olhei.
Na desesperança da esperança.
Na primeira vez que gritastes comigo,
Olhei-te surpresa e disse Adeus.
Foi tão baixinho,
Mas meu coração apertou.
Estarrecida,
Fechei-me,
Na magia que se perdia.
Na primeira vez que fostes irônico comigo
Olhei-te ferida e disse Adeus.
Foi tão baixinho,
Mas meu coração sangrou.
Sofrida,
Despertei do sonho há muito sonhado.
Na primeira vez que mentistes para mim,
Olhei-te inquieta e disse Adeus.
Foi tão baixinho,
Mas meu coração ouviu.
Decepcionada, chorei
Pela perda da certeza.
Na primeira vez que me desdenhastes
Olhei-te perdida e disse Adeus.
Foi tão baixinho que só meu coração sentiu.
Assustada,
Escondi-me nas profundezas do meu eu.
Na primeira vez que me ignoraste,
Olhei-te cansada e disse Adeus.
Foi tão baixinho,
Mas meu coração reconheceu.
Angustiada,
Perdi-me no passado já não mais distante.
Na primeira vez que me fizestes chorar,
Olhei-te em lágrimas e disse Adeus.
Foi tão baixinho,
Mas meu coração tremeu.
Sozinha,
Senti-me em um caminho sem destino
E entre palavras rudes e ríspidas
Gritos irônicos,
Mentiras e desdenhos
Abandonos e lágrimas,
 Olhei-te decepcionada e disse Adeus
Foi tão baixinho que retumbou no meu peito.
Relutante,
Decidi colocar meu coração novamente no meu corpo,
Já em chagas
Escondido de tuas maledicências
Só para te dizer Adeus!

Carmen Mattos

sexta-feira, 2 de janeiro de 2015

Encontros



Enquanto nossos olhos
Encontram-se na multidão
Quase cerrados, 
Enxergamos a profundeza que há no outro.
Podemos ver aquilo que se tornou imperceptível àqueles que nos rodeiam.
E nesse momento de entrega,
De pureza,
E de Destino,
Em minha cabeça vagam vários pensamentos
De tudo o que vivemos para nos trazer a esse momento tão cheio de vida.
Onde duas almas perdidas se encontraram,
Percebo,
Quase sem querer,
A admiração que nutro por você.
E por mais que tente lhe explicar
Jamais entenderias a profundidade desse sentimento.
Penso em você
E encontro um lar,
O ombro que ampara meus pensamentos
E me fazem sentir a magia existente durante essa noite.
E assim, 
Abraço-lhe o mais forte que meus braços permitem
Para que o momento jamais se esvaia.
Para que um dia,
Olhemos para trás
E possamos perceber que ali foi o início de tudo.
O momento em que dois seres
Tão iguais e tão diferentes
Puderam se encontrar para descobrir o mundo
E descobrir as coisas inexplicáveis que passaram naquele momento
Que de tanta vida
Deixaram-me sem palavras para descrevê-lo
Ou sem palavras para compartilhar aquilo que era só nosso.
Não só momento
Mas duas histórias de vida
Que no acaso inexistente
Tornaram-se uma.


quarta-feira, 31 de dezembro de 2014

Feliz Ano Novo



Ano novo, vida nova, novos planos, sonhos e conquistas.
A virada que pode definir tua vida, ou não.
Pode ser que neste ano que se aproxima, faças mil promessas e as veja morrer no primeiro raiar do dia.
Pode ser que faças mil promessas e as cumpra.
Tanta coisa pode acontecer nestes 365 dias que virão, sem que nem ao menos esteja em teu cronograma de vida.
Podes te surpreender...
Entretanto, o que importa no final de todo o ciclo é a esperança na renovação, é a coragem de acreditar no novo e ter ambição para fazer tudo valer a pena.
Que 2015 traga a todos muitas felicidades e muitos sonhos que, por mais impossíveis que pareçam, detém magia por simplesmente existirem.
Que o ano que se aproxima te pegue de peito aberto, pronto para novas possibilidades, novas oportunidades, sem medo de andar no escuro ou voar alto.
Que a felicidade vire rotina e pensamentos bons façam parte do cotidiano.
Que seja um ano abençoado para mim, para ti e para todos nós.
Feliz 2015!!!

terça-feira, 30 de dezembro de 2014

Mariposas


Há pouco abraçamo-nos, era Natal.
Agora, enquanto todos dormem,
Vejo-me sentada, olhando.
Pequenas mariposas 
A dançarem pelas lâmpadas
Que piscam no seu bailar.
Pensamentos distantes
Remontam tantos Natais
E sempre a mesma imagem
De desconsolo, de solidão.
Esforço-me para lembrar
Se houve algum sem sombra
Se houve algum pleno
Mas só encontro
Taças quebradas e vazias
As mariposas vão e vem
Hipnotizando meu pensar
Penas, dores, mágoas.
Tudo gira no ritmo da luz que pisca
E elas se divertem na brincadeira
Do pisca pisca,
As lágrimas escorrem no mesmo passo
O silencio é total
A noite segue adiante
E eu insone, invejo o vai e vem.
Das mariposas nas lâmpadas
Queria saber sua dança
Que termina quando a luz se apaga
E depois, caem mortas no chão frio.
Cansadas e imersas no seu destino
Não tenho destino
Sigo em frente, por não ter aonde ir.
Absorta na aparente felicidade
Onde sorrisos são obrigatórios
Levanto-me e caminho lentamente
Para uma morte sem final.
Outro dia, conversas coloridas.
Numa alma sem cor.
Olho as mariposas caídas no chão
E percebo a beleza da morte bailante
Mortas são mais belas
Que ficar sozinha olhando-as
A rodopiar incessantemente
Até a exaustão de seu corpo frágil
Nosso caminho será o mesmo
Mas não terei toda a gloria 
De ser feliz pelo menos por uma noite:
A noite de Natal, com suas luzes.
Seus brindes e alegrias fugazes
Sinto-me só
Sinto-me a rodopiar
Na dança fúnebre
De todo o meu viver.


Escrita por Carmen Mattos

segunda-feira, 29 de dezembro de 2014

Porto Seguro


A felicidade se faz no silêncio quando as palavras já não servem para demonstrar o valor que se perdeu.
Com as luzes acesas do quarto até então escuro pela neblina que pairava sobre os intermináveis pensamentos que conduziam a alma, abre-se espaço para sorrisos soltos.
Os olhos brilham com a emoção do momento em que a alma engrandece, agradecendo por tudo aquilo que aconteceu, até então.
E assim, com o raiar do Sol que ilumina a mente, vislumbra-se mais um dia bom, onde aquilo que era pouco se quebrou e já não há lugar para a tristeza.
A vida continua, em sua melhor forma, com o brilho nos olhos que até então estava perdido, ao procurar um porto seguro, sem perceber que o porto seguro tanto esperado estava escondido em seu próprio ser.

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