sábado, 31 de janeiro de 2015

Caminhar nas nuvens


Sentada na cadeira escondida na pequena varanda daquilo que ela chamava de lar, passou o dia a refletir sobre tudo o que havia feito.
Sobre os tropeços e como o havia magoado de forma tão súbita e desnecessária. 
Ela se sentia culpada e aquilo a feria todo o instante em que imaginava que poderia perdê-lo naquela noite fria de verão.
Sabia que toda a compreensão que residia dentro do coração puro dele um dia não resistiria à falta de jeito que ela tinha ao lidar com as situações que lhe pareciam tão difíceis.
Mas era tudo tão simples...
Sabia que tinha errado ao trazer o passado à tona e sabia que precisava mudar. 
"Ele foi a melhor coisa que me aconteceu nos últimos tempos", repetia baixinho se lembrando da forma que ele a tratava e lhe trazia paz.
Se pudesse voltar à noite em que tudo se despedaçou, aprenderia a caminhar nas nuvens de olhos fechados.
Entretanto as pedras que por tanto tempo feriram seus pés a fizeram fugir da realidade mágica que aconteceu naquela noite de verão.
Dentre tantos arrependimentos, ela rezava baixinho para que o céu lhe fosse devolvido.
Fez uma promessa aos anjos que iluminavam sua mente e assim esperou. 
Em uma noite de verão esperou quieta, de mãos amarradas frente àquilo que não estava mais em suas mãos, nada mais que o céu.
Onde finalmente aprenderia a andar nas nuvens de olhos fechados...

sexta-feira, 30 de janeiro de 2015

Que o medo não vire rotina


A primeira briga, aquela mais cruel porque não existem cuidados para não machucar o outro justamente por inexistir a compreensão total daquele que jaz em tua frente.
Um divisor de águas daquilo que pode dar certo ou se perder no meio da tempestade.
E assim passaram-se horas, no aconchego que deixou de existir por um momento de insensatez.
Quando digo que gosto de ti, minhas palavras não são em vão e tampouco existe a vontade de te deixar partir.
Quero-te perto, tão perto quanto meus braços possam te abraçar e te deixar sem ar, no momento de entregação.
Que os medos não virem rotina e que as palavras sussurradas ao pé do ouvido façam valer cada minuto, cada momento.
Porque na tua voz e nos teus braços eu encontrei a paz.
Um peito aberto para me aceitar como for.
Esquecendo desta primeira briga, que no calor das emoções deixou de existir.
Restando tão somente aquilo tudo que construímos juntos, lado a lado, de mãos dadas.
Enquanto apagamos os resquícios desta noite vazia...

quarta-feira, 28 de janeiro de 2015

Pena de ti



Eu tenho pena. 
Pena de ti que não és coisa alguma, além da vida que te cerca que inclusive não é tua.
Pena dos teus sorrisos melancólicos e de todas as vezes te fizestes de contente para esconder a dor que carregavas no peito.
Eu tenho pena.
Pena de ti que com inveja do mundo tentou roubá-lo só para ti, momento em que te vistes no meio de um buraco cavado com tuas próprias mãos.
Eu tenho pena.
Que de flor só te resta o nome, dentre atitudes tão frias e mesquinhas.
Eu tenho pena.
Que das mentiras deslavadas que contastes tentando jogar a culpa em mim pelos teus atos, não acreditavas que a verdade já havia sido espalhada antes mesmo de eu te cobrar satisfações.
Não saberia prever o futuro, portanto a verdade restou jogada aos 4 ventos antes mesmo de tuas mentiras.
Eu tenho pena.
De teres perdido a única família que te acolheu, de forma tão súbita, tropeçando nos teus próprios erros.
E por mais que tentes me derrubar e inventar mentiras, continuo no topo com meu olhar de pena.
Pois tudo o que sinto agora é pena de ti.
Por tudo aquilo que não és e tudo aquilo que jamais serás...

O dia em que morri



Na penumbra do corredor cinza por onde as janelas só traziam mais escuridão, eu caminhava em passos largos e trêmulos. Andava, olhando as portas, a procura do número que queria e temia. Naquele local gélido e solitário, só a minha respiração era ouvida. Numa da mão trazia minha mala e com a outra mexia em meus cabelos somente para não deixa-la a longo do corpo.
Agora diante do único obstáculo que me separava do desconhecido, não sabia o que fazer. Ordenava aos meus pensamentos, aos meus sentimentos e a toda minha alma: Sê forte! Forte? Forte contra o quê? O que me esperava? Eram verdadeiros meus temores? Uma vida inteira se passou enquanto minha mão descia de meus cabelos e se agarrava à maçaneta. Foi preciso outra vida para que eu pudesse girá-la abrindo a porta.
O branco agressivo, em contraste com o cinza do corredor, me paralisou e meus olhos se fixaram em outros olhos ali na minha frente. Olhos opacos, sem vida, sem razão de ser e por defesa, deixei de encará-los e baixei meu olhar para seus lábios. Não havia cor, rachaduras molduravam um tímido sorriso de dor. Não dessas dores de chorar, de gritar, de tomar remédios, dor que vem de dentro e vai destruindo o espírito até consumir também com o corpo. Dor que não dói porque amortece todos os sentidos até sua própria dor. Eu lhe sorri em retribuição. De qualquer jeito, joguei minhas lágrimas e meu grito para dentro de mim e, lhe sorri. Meus olhos ainda vagavam pelo seu corpo enquanto eu me mantinha congelada no umbral da porta.
Vi seus ralos e loiros cabelos espalhados desordenadamente pelo travesseiro. Seu braço direito estendido ao seu lado deixava ver sua mão tão pálida quanto à rudeza dos brancos lençóis. Pude ver as veias muito azuis de sua mão, as unhas arroxeadas e estas eram as únicas cores de tudo que via. Larguei a mala ali mesmo na porta e fui abraçá-la temendo que se desmanchasse ao meu simples toque. Beijei sua testa e a enlacei em meus braços. Não chorei. Fiquei ali abraçada ao seu corpinho frio passando todo o calor que tinha comigo e meu único pensamento era que nada nem ninguém iria tirá-la de mim. Brigaria com Deus, com a morte e quantos mais aparecessem a minha frente, mas, NINGUÉM iria tirá-la de mim.
Aos poucos fui me afastando e ela na sua voz quase inaudível me disse: estou bem, mãe. Sorri novamente em concordância e fui ouvindo as coisas que tinha para me contar. Falava com voz macia, entrecortada pela dificuldade em respirar, e eu petrificada com o horror do seu estado, ouvia a tudo como se tudo fosse nada. Sem saber de onde saia minha força, conseguia ouvir, sorrir e acariciar sua mãozinha. Quando de repente, já esgotada parou de contar sem ter tudo contado. Fiquei ainda alguns instantes só olhando-a e fui tomar banho.
Tão logo a porta se fechou atrás de mim, minha armadura virou pó, o sorriso se transformou numa careta e as lágrimas escorriam abundantemente pelo meu corpo. Vagarosamente tirei minha roupa e fui esconder minha dor no barulho da água que caia do chuveiro. Rezei até ficar rouca enquanto a água tentava inutilmente lavar o meu desespero. Pedi a Deus que não fizesse com que eu enterrasse uma filha minha. Pedi a Deus uma cruz mais leve. Pedi a Nossa Senhora que me desse à coroa de espinhos, o açoite, a traição ou a morte, mas que não me desse à dor de entregar-lhe minha filha. Lembrei-me da alegria da sua chegada, dos primeiros passos, do seu sorriso aberto, dos seus olhinhos de chinesinha, da responsabilidade dos seus atos, da integridade do seu caráter, das noites sem fim de estudos, da sua paixão pelo flamengo, pelo nosso acordo de só poder faltar à aula no dia seguinte da apresentação do Oscar, sua outra paixão. Lembrei de todas as suas lutas, de todas as suas vitórias, de todas as suas mágoas que sempre tentava esconder de mim e que raramente tinha sucesso. Lembrei do seu jeito quietinho de ser, da meiguice, da solidariedade, lembrei, lembrei,lembrei, lembrei de tudo que nunca esqueci. E no meio de tantas lembranças, lembrei de novamente pedir para mim a punição: “Faça de mim o que Quiseres, mas livre minha filha de todo o mal.”.
Depois disso, juntei os cacos do que fora eu e retornei ao seu lado, pronta para guerrear contra o invisível, o inimaginável e vencer a todos. Por três dias e por três noites fiquei de vigília até convencer-me que o mal havia sido afastado. Após este tempo de guarda, as coisas foram lentamente tomando seu lugar, mas a ferida deixada no meu peito nunca cicatrizou e ainda tenho e terei para sempre a marca do dia em que morri.

Carmen Mattos

terça-feira, 27 de janeiro de 2015

Drama


Queria poder escrever tudo que se passa comigo neste instante, mas meus pensamentos confusos não conseguem se transformar em palavras.
Num redemoinho de lembranças, tudo roda e perco-me na intenção de entender.
Lembro da minha infância e tanto teria para escrever sobre ela; lembro-me da adolescência perdida no objetivo de ser; lembro-me das filhas, das decepções de hoje e de outrora; lembro-me da ausência de bem querer.
Qual destas lembranças me aflige neste momento?
Passado distante, passado recente, presente ou futuro? Queria escrever sobre a aflição que me aperta o peito, mas sequer consigo identifica-lo e então como descreve-lo escrevendo-o?
Talvez pegar o carro e sair sem rumo, mas de que adiantaria? 
Uma hora terei que parar e na volta inevitável mil explicações do inexplicável. 
Essa angústia faz com que o tempo pare e o tic tac do relógio seja na verdade as batidas do meu coração.
Mas como poderia, se meu coração bate acelerado e o relógio é tão lento?
Quem sabe eu esteja trocando os sons, e seja o tic tac do relógio mesmo, e meu coração de tão triste, tenha se calado e eu não o possa ouvir.
Sim, acho que é isso mesmo.
Calo-me, não por não ter o que falar, mas sim por ter muitas coisas encobertas na vazão do meu querer, e sem poder liberta-las, acorrento-as no meu silêncio. 
Falar é não ser ouvido.
Ninguém quer entender coisas que de tão velhas e banais perderam a razão para serem ouvidas. 
O tempo é precioso e não pode ser gasto com mofos e bolores de passado, tão passado que nem mais passado é. Quanto disso tudo é verdade e quanto disso tudo é drama, como diz minha filha? 
Será que minhas lágrimas fazem parte do passado ou do drama? 
Será que tanto chorei e me escondi de mim mesma, por teatro demodé? 
Se tudo é falso, também eu sou falsa e estou perdida nesse tempo de coisas reais. 
Talvez nem exista. 
Talvez seja somente parte de um pensamento de alguém que, neste momento, não sabe que eu também sou parte dela.
Talvez esta pessoa nem tenha angústias e neste caso as minhas angústias também seriam fantasias da fantasia dela.
E se eu não for eu e sim uma idéia tão somente? 
E se tudo não passar de atos e fatos que giram num redemoínho de pensamentos, como as coisas que sinto girar na minha cabeça?
Se assim for, não preciso pegar o carro e sair a esmo, não preciso escrever sobre minhas angústias pois elas são o pó que permite ao redemoinho existir e portanto precisam estar aqui para que tudo não se termine e o ciclo se mantenha.
Por que seria importante manter o ciclo?
Talvez se a angústia ceder, o redemoinho parar, as coisas que estão contidas nele caiam e se quebrem na queda.
E que coisas seriam estas? 
Quebra-las, quebraria um ciclo ou quebraria o todo?
E se o todo for o próprio redemoinho, e este o ciclo, e o ciclo a angústia, e a angústia os pensamentos, e os pensamentos o passado, e o passado o mofo, e o mofo o drama?
A vida seria o mofo do drama e por ser drama nunca existiu, e nunca tendo existido não poderia ter mofo, que é a vida em sua forma velha, gasta, perdida,e envelhecida. 
É!
Meus pensamentos não existem e por isso não consigo falar sobre eles.
Não estão acorrentados no meu silêncio como pensava, é o meu calar que prende o meu silêncio.
Assim quieta, não haverá quem conheça o meu drama e poderá viver o seu próprio drama, sem que eu possa interferir no seu sonho de ator da sua própria vida.

Carmen Mattos

segunda-feira, 26 de janeiro de 2015

Perdi um amigo



Perdi um amigo.
Não daqueles amigos que se encontra sábado à noite num barzinho para tomar uma cerveja e jogar conversa fora.
Perdi um amigo que se encontra no coração sem que seja preciso a presença física, o abraço ou contar-se um conto.
Nunca veio na minha casa e nem nunca fui à sua, mas mesmo assim era amigo.
Quando me tornei sua amiga?
No dia em que o conheci.
Fui a sua rádio colocar um anúncio e lá estava ele com um sorriso aberto, um aperto de mão forte, que só as pessoas de bem tem. Depois de feito o trato comercial, foi mostrar-me a “sua rádio”.
A sua rádio era uma pequena sala, não muito clara, sequer bonita, mas mesmo assim seu peito se enchia de orgulho ao apontar cada detalhe, cada cantinho, daquela pecinha meio sem graça. 
Entendi muito pouco ou quase nada e não sei se isso se deve ao fato de ser totalmente leiga neste assunto ou por ter me perdido na sua alegria. 
Era um homem que sonhava.
E como admiro as pessoas que sonham!
Sonhar é ver além, ver o abstrato, é ver a esperança, antes que a esperança nasça.
Não tive tempo de conhecer seus defeitos, suas mágoas, suas tristezas ou feridas, mas muito mais importante que tudo isso, pude ver o brilho dos seus olhos quando se referia à pequena e modesta rádio.
Acho que este brilho no olhar era tão intenso que conseguia se transformar em ondas e chegar às casas das pessoas, principalmente as mais humildes, que tanto precisam de sonhos mesmo que os sonhos sejam emprestados, 
Um quadradinho pequeno, modesto, sem nenhum glamour, mas iluminado por um homem que sabia sonhar. 
Mas sonhar tem seus inimigos: a cobiça, a inveja, a malícia e tantas outras artimanhas que os homens se utilizam para tornar pequena a grandeza que não conseguem agarrar; a grandeza que é a pureza de ainda saber sonhar.
E foi assim que o homem que sonhava se foi. 
Não, ele não morreu. 
Ele só está seguindo a luz que seu sonho traça pelo firmamento.
Ao meu amigo, que nunca veio a minha casa e que eu nunca fui a sua, eu desejo, esteja onde estiver que nunca se esqueça de sonhar.

Carmen Mattos

Regeneração



Diz-se que a estrela do mar tem o poder de regeneração. Se lhe cortam uma das partes, com o tempo e o ambiente perfeito, ela reencontra energias e volta a brilhar em toda a sua perfeição.
Sempre que alguma coisa tenta me derrubar e o universo vira de ponta cabeça, visto-me de estrela do mar e participo do seu processo de regeneração.
Tornou-se automático e já nem sinto a dor da perda, quando a perda passa a não significar nada além de um pedaço meu que, em um ato de confiança, depositei em outra pessoa.
Interessante o quanto, no decorrer da vida, a gente se doa aos outros sem pretender receber nada em troca.
Impressionante é quando realmente não recebemos nada em troca, inclusive o respeito.
Vejo pessoas reclamando da vida e dos relacionamentos ruins e quando penso nisso, lembro do poder que cada um carrega dentro de si mesmo.
“Eu estou bem”, penso com a certeza de dias melhores.
Conheço a lei do universo de que atrais para si mesmo aquilo que entregas nas mãos dos outros e por isso, jamais, entreguei nada mais do que o melhor de mim.
E quando a vida me decepciona e a facada no peito dói, lembro que a maré leva embora todo o lixo soterrado na areia para voltar com água límpida, cristalina e a calmaria que tanto busco.
Até lá, continuo cultivando aquilo que tenho de melhor, sentada na beira do mar, esperando pelos dias mais calmos, longe de todo o lixo que invadiu minha vida e fez bagunça para que pudesse recomeçar.
E todo o recomeço traz consigo a esperança de que nenhuma parte seja tirada, até o dia em que não será mais necessária regeneração e nem a súplica por um respeito que não existe.


domingo, 25 de janeiro de 2015

À tua imagem



Tua covardia me assustou em uma tarde de domingo.
Acreditava que eras muito melhor daquilo que me mostrastes.
Pensei que tudo fosse mudar e que tomarias consciência de si mesmo ou que olhasse a própria imagem daquilo que te tornastes no espelho.
Mas hoje acredito que a imagem seria apavorante, assim como as marcas que carregas em teu corpo tão vazio de vida.
E assim, no meio das desculpas que jamais encarei como verdades, deixei-te ir.
Em busca daquilo que seja igual a ti, um espaço vazio de vida e uma imagem aterrorizante do reflexo de si mesmo...


Ao tempo que te dediquei



Desculpe-me, mas, eu não te perdôo.
Desculpe-me, mas tua traição doeu demais.
Desculpe-me, mas as lembranças de tudo que fui para ti
Não permitem que as minhas lágrimas sequem 
Desculpe-me, mas eu te amei demais
Hoje sei que foi amor jogado ao léu
Desculpe-me, mas no meu total desapego 
Creio que não deveria ter te cuidado
Não deveria ter enxugado tuas lágrimas
Sentado no chão brincando de carrinho
Ter beijado teus machucados
Compensado o desamor de teus pais 
Com meu amor imensurável
Desculpe-me, mas já não tenho nenhuma piedade por ti
De tuas inúmeras horas de sozinhez
Quando brincavas de abandono
Queria poder voltar atrás e te deixar no escuro
Assustar-te com o bicho papão
Rir-me de teus desalentos
E não te dar a mamadeira que a tua mãe não amamentou.
Hoje o mundo girou e na gira deste mundo
Tua ficastes na escuridão da minha vida
E de lá nunca deverás sair.
O tempo passou, fui mãe de verdade
Fiz-te irmão das minhas filhas
Dei-te um lar
Dei-te carinho
Dei-te o mais doce de mim.
O tempo passou, hoje és pai
Tens filhas
E dá a elas o amor que aprendestes comigo
Fui a única professora que tivestes, na arte de amar
Tudo que sabes aprendestes comigo
Mas, agora estou te ensinando o desamor.
Desculpe-me, mas as lágrimas que caem da minha face
São as mesmas lágrimas que caem das faces das minhas filhas
Que um dia foram tuas irmãs porque assim eu queria
E também são as mesmas lágrimas 
Que um dia verei escorrer dos teus olhos
E pingarão naquelas que hoje amas.
Desculpe-me, mas não há perdão para a ingratidão.
Desculpe-me, mas te nego o direito de usar o amor que te ensinei.

Carmen Mattos

Sessenta segundos



A vida dela tinha um ritmo inesperado. Todas as vezes em que ela pensava que fosse desmoronar, pensamentos bons lhe surgiam na cabeça com a leveza da brisa em uma manhã de domingo. 
Era inconstante e isso fazia dela uma guerreira dentro de si mesma. 
Queria o mundo e o merecia.
Com alma doce e encantadora, fazia de seu universo um colorido na mistura do arco íris.
Tudo era uma questão de tempo, sabia sempre que seu peito doía e as pessoas viravam as costas.
Esse era o momento mais difícil.
Mas calmamente, escrevia no verso do papel toda a insatisfação que sentia e ali deixava morrer as dores que lhe oprimiam.
Era encantadora no modo de agir e de lidar com as adversidades. 
O melhor de si sempre foi dado e caminhava com a consciência tranqüila na certeza de dias melhores. 
Fazia disso um sonho continuo e se entusiasmava sempre que alguém lhe roubava um sorriso.
E de sorriso em sorriso, aprendeu a caminhar sozinha.
Com toda a certeza do mundo de que em algum dia, em algum momento da vida, todas as promessas feitas não se desmanchariam na folha do papel, junto com as aflições que lhe roubavam o fôlego, por um minuto.
Sessenta segundos de melancolia e toda uma vida de sorrisos soltos, na certeza que tudo um dia iria mudar...
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